Itália pede ativação imediata de mecanismo europeu de distribuição de migrantes
Migrações
4 de ago. de 2021, 14:07
— Lusa/AO Online
O
pedido foi feito pela ministra do Interior italiana, Luciana Lamorgese,
durante uma conversa telefónica com a comissária europeia dos Assuntos
Internos, Ylva Johansson, numa altura em que centenas de migrantes
procedentes do norte de África estão a chegar às costas italianas e mais
de 800 pessoas resgatadas no mar Mediterrâneo aguardam há vários dias a
bordo de duas embarcações de organizações não-governamentais (ONG) por
um porto seguro para desembarque. A
Itália, a par da Grécia, Espanha ou Malta, é conhecida como um dos
países da “linha da frente” ao nível das chegadas de migrantes
irregulares à Europa.O
país está integrado na chamada rota do Mediterrâneo Central, que sai da
Tunísia, Argélia e da Líbia em direção ao território italiano, em
particular à ilha de Lampedusa, e a Malta.Perante
a perspetiva de uma continuação, e de um expectável aumento, das
chegadas de migrantes, Roma, segundo informou o executivo italiano,
reiterou à Comissão Europeia “alguns dos pedidos já feitos
anteriormente” e "sublinhou uma vez mais a urgência de uma mudança de
rumo na política migratória da UE”.Durante
a conversa, Luciana Lamorgese lembrou à Comissão Europeia e à atual
presidência eslovena do Conselho da UE que “a atual tendência dos fluxos
migratórios não pode ser tratada apenas por Itália e pelos outros
países cujas fronteiras coincidem com as fronteiras externas” do bloco
europeu.Como
tal, a ministra do Interior italiana pediu “a ativação imediata, ainda
que temporária, de um mecanismo que envolva os Estados-membros (da UE)
para permitir um porto seguro, compatível com as medidas de prevenção no
âmbito [da pandemia] da covid-19, para os navios das ONG atualmente
envolvidos em operações de resgate em águas internacionais".De
acordo com o Governo italiano, Luciana Lamorgese apelou igualmente "ao
relançamento do princípio de solidariedade entre os Estados-membros para
uma redistribuição obrigatória dos migrantes resgatados em mar”.Apresentada
em setembro de 2020 pela Comissão Europeia, a proposta do Novo Pacto
europeu para a Migração e Asilo mantém-se ainda em negociações no seio
do bloco comunitário.Nos
últimos dias, mais de 2.000 migrantes chegaram à ilha italiana de
Lampedusa, onde o centro de acolhimento local, com uma capacidade máxima
para cerca de 200 pessoas, encontra-se sobrelotado.Um
total de 810 migrantes resgatados estão atualmente a bordo de dois
navios de duas ONG e aguardam, por parte das autoridades italianas, a
atribuição de um porto para desembarcarem.No
navio da ONG alemã Sea-Watch estão 257 pessoas que foram resgatadas em
diversas operações no Mediterrâneo desde o passado dia 29 de julho,
enquanto a bordo do “Ocean Viking”, embarcação da ONG francesa SOS
Méditerranée, estão 553 migrantes.“A
situação das pessoas a bordo está cada vez mais insuportável. Estão
exaustas, muitas delas estão feridas e traumatizadas. Precisamos de um
porto seguro agora!", referiu, através das redes sociais, um elemento da
tripulação do navio “Sea-Watch 3”.