Itália detém 29 elementos de organização que explorava imigrantes
Migrações
Hoje 12:18
— Lusa/AO Online
De acordo com a investigação,
realizada pela Direção Antimáfia e o Ministério Público de Taranto, a
organização obrigava os imigrantes a pagar pelo seu trabalho e até pelas
suas próprias contribuições para a segurança social.As
detenções foram efetuadas pelos ‘carabinieri’ (polícia militar) nas
províncias de Taranto, Lecce, Foggia, Matera, Campobasso, Ragusa (sul),
Latina (centro), Milão e Verona (norte).Todos os detidos são acusados de pertencerem a uma organização criminosa e de incitarem à imigração ilegal.
Os investigadores confirmaram a existência de “uma organização
criminosa estável” que lucrava com o chamado “Decreto dos Fluxos”, o
mecanismo através do qual o Governo italiano estipula anualmente o
número máximo de imigrantes que podem entrar legalmente no país para
trabalhar.Esta rede recrutava pessoas no
Paquistão, Bangladesh e Índia, oferecendo-lhes empregos em setores como a
restauração, a hotelaria, a construção civil ou lojas de telemóveis,
embora o verdadeiro destino fosse quase sempre outro: trabalhar sem
contrato em empresas agrícolas.A rede,
referiram os investigadores, envolvia empresas destes setores, bem como
intermediários que recrutavam estas pessoas e preparavam a documentação
para a obtenção de vistos de trabalho.Os
estrangeiros “recrutados” tinham de pagar até 6.500 euros para obter uma
autorização para poderem viajar para Itália, mas deste valor, cinco mil
euros iam para o empregador colaborador, 1.000 euros para os
traficantes e 500 euros para os outros intermediários.Uma
vez alocados a uma empresa agrícola, os trabalhadores eram também
obrigados a suportarem as suas próprias contribuições para a segurança
social. “Isto criava uma situação paradoxal em que o empregado pagava ao dono da empresa”, escreveram os investigadores.O
sistema, afirmaram, lucrou com a vulnerabilidade económica e social dos
aspirantes a trabalhadores estrangeiros, que vinham de “contextos de
pobreza ou sem perspetivas de futuro”.Todos
“foram induzidos a fazer sacrifícios financeiros significativos,
recorrendo frequentemente às poupanças familiares ou contraindo dívidas,
para obter um visto de entrada ou manter uma autorização de residência.
A esperança de uma vida melhor foi transformada num instrumento de
lucro ilícito”, alega a investigação.