Israel reforça pressão e ameaça com ataques "ainda mais dolorosos"
Irão
Hoje 14:45
— Lusa/AO Online
“O
Irão encontra-se num ponto de viragem histórico: um caminho consiste em
renunciar ao terrorismo e ao armamento nuclear, em conformidade com a
proposta norte-americana, o outro conduz ao abismo”, afirmou o ministro
da Defesa, Israel Katz.Se o regime de
Teerão optar pela segunda via, “descobrirá muito rapidamente que existem
alvos ainda mais dolorosos do que aqueles que já atingimos”,
acrescentou o ministro israelita, citado pela agência de notícias
France-Presse (AFP).As declarações de Katz
seguem-se às do homólogo norte-americano, Peter Hegseth, que horas
antes tinha avisado Teerão que as forças dos Estados Unidos estavam
preparadas para retomar os ataques se Teerão não aceitasse um acordo.Washington
e Teerão concordaram com uma trégua de duas semanas que entrou em vigor a 08 de abril para negociar um acordo de paz, mas as conversações
realizadas no fim de semana no Paquistão terminaram sem sucesso.O
Paquistão tem estado a tentar uma nova ronda de negociações antes de
terminar a trégua, a 22 de abril, e os Estados Unidos decretaram um
bloqueio aos portos iranianos como forma de pressão sobre Teerão.O
Irão, por sua vez, ameaçou bloquear a navegação no mar Vermelho, para o
que contará com os aliados huthis do Iémen, num cenário que agravaria
ainda mais a crise petrolífera causada pela guerra israelo-americana
contra Teerão. Hegseth advertiu que o
bloqueio marítimo vai durar o tempo que for necessário e que a força
militar foi mantida na região para esse efeito, mas também para retomar
os ataques se Teerão não aceitar um acordo.O
Presidente norte-americano, Donald Trump, justificou a guerra com a
iminência de o Irão se dotar de armas nucleares, embora sem provas, e
exigiu que Teerão renunciasse ao programa nuclear.O
Irão, que perdeu o líder supremo, Ali Khamenei, no primeiro dia da
guerra, tem rejeitado as exigências norte-americanas e alegado que tem o
direito ao uso da tecnologia nuclear para fins civis.A
ofensiva contra Teerão foi lançada a 28 de fevereiro, precisamente
numa altura em que decorriam conversações entre os Estados Unidos e o
Irão sobre o programa nuclear iraniano.A
guerra causou mais de quatro mil mortos na região, maioritariamente no
Irão e no Líbano, além de ter feito recear uma recessão económica a
nível global dadas as implicações que está a ter no mercado de energia.O
Irão vive sob um regime teocrático desde a revolução islâmica de 1979,
que reprime a população do país, e as autoridades de Teerão têm sido
acusadas de financiarem grupos terroristas.