Israel promete atacar com força enquanto se choram as mortes nos Montes Golã
28 de jul. de 2024, 15:48
— Lusa
O Irão avisou Israel das
“consequências” de um ataque de retaliação no Líbano. “Qualquer ação (…)
poderia conduzir a um agravamento” da ‘guerra na região’, declarou o
porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Nasser
Kanani.Segundo Israel, um foguete
disparado do Líbano contra um campo de futebol na cidade de Majdal Shams
matou sábado 12 jovens, com idades entre os 10 e os 16 anos, e feriu
cerca de 30 outras pessoas.Tratou-se, de
acordo com Israel, de um foguete iraniano do tipo Falaq, com uma ogiva
de 53 quilos. O Hezbollah, que nega ser responsável pelo ataque, é o
único partido a possuir um foguete deste tipo, segundo o Ministério dos
Negócios Estrangeiros israelita.O
Ministério dos Negócios Estrangeiros israelita considerou que o
movimento islamita libanês, apoiado pelo Irão, “ultrapassou todas as
linhas vermelhas” ao disparar “contra civis”.Na
sequência deste ataque, o primeiro-ministro israelita, Benjamin
Netanyahu, regressou hoje a Israel, mais cedo do que o previsto, após
uma viagem aos Estados Unidos, dirigindo-se para uma reunião do gabinete
de segurança.“O avião do
primeiro-ministro aterrou em Israel e dirige-se ao Ministério da Defesa
[em Telavive] para uma reunião do gabinete de segurança”, acrescentou o
gabinete do primeiro-ministro, em comunicado.Entretanto,
milhares de pessoas reuniram-se hoje em Majdal Shams, nos Montes Golã
ocupados por Israel, para se despedirem, num funeral coletivo, de 11 das
12 crianças - já tinha sido realizado um outro em Ein Quiniye - que
morreram sábado quando um míssil atribuído ao Hezbollah atingiu o campo
de futebol onde estavam a jogar.“As
imagens de horror nunca serão apagadas”, leu o líder espiritual druso,
Sheikh Mowafaq Tarif, na cerimónia, durante a qual considerou o dia do
ataque como um “sábado negro”, que ficará ‘gravado na memória como um
ponto baixo da humanidade”.Numa praça no
centro da cidade drusa, milhares de cidadãos, na sua maioria vestidos de
preto, alinharam-se nas ruas, telhados e varandas, enquanto passavam os
12 caixões brancos que transportavam as crianças mortas.Alguns
dos ministros do Governo de Benjamin Netanyahu presentes no funeral,
como o ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, e o ministro da
Economia, Nir Barkat, foram vaiados por alguns dos presentes.“Tirem-nos
daqui, não os queremos”, gritou um homem. “Abandonaram-nos durante nove
meses e agora estão aqui?”, disse outro participante.O líder da oposição, Yair Lapid, e o líder trabalhista, Yair Golan, também estiveram presentes.Para a Síria, Israel é o responsável pela morte destas crianças, culpando do mesmo o grupo xiita libanês Hezbollah.“A
entidade de ocupação israelita cometeu ontem um crime hediondo na
cidade de Majdal Shams, no Golã sírio ocupado desde 1967, e depois
culpou a resistência nacional libanesa (Hezbollah) pelo seu crime”,
afirmou o Ministério dos Negócios Estrangeiros sírio num comunicado.