Israel pondera apostar em contágio em massa já que Ómicron é menos grave
Covid 19
29 de dez. de 2021, 14:15
— Lusa/AO Online
A taxa de
infeção pela variante Ómicron do novo coronavírus, que causa a doença
covid-19, está a aumentar continuamente em Israel - quase 3.000 novos
positivos pelo segundo dia consecutivo, o que representa um máximo de
três meses -, e especialistas do Ministério da Saúde israelita ponderam
uma mudança de política para alcançar a imunidade de grupo através de
infeções em massa com esta variante, segundo a imprensa hebraica
publicada hoje.A
taxa de positividade aumentou no país para 2,48% e a taxa de infeção – o
número médio de pessoas infetadas por cada portador do vírus – subiu
para 1,53, indicando que o surto está a intensificar-se.No
entanto, o aumento do número de pessoas infetadas não se traduz num
aumento de casos graves de covid-19 ou hospitalizações, com apenas 88
doentes graves em todo o país, números que se mantêm estáveis em
comparação com as últimas semanas.A
estratégia de "contágio em massa" foi o que a Suécia seguiu na fase
inicial da pandemia, quando decidiu não impor restrições severas às
pessoas que não pertenciam a grupos de risco, numa tentativa de
continuar com a vida normal e de alcançar a imunidade do grupo.Porém,
essa estratégia, aplicada antes das vacinas estarem disponíveis e
quando o coronavírus era mais letal, foi então vista como um fracasso e
forçou o país a mudar de rumo.O
primeiro-ministro israelita, Naftali Bennett, disse segunda-feira que
Israel está à beira de uma "tempestade de infeções cuja magnitude ainda
não se viu” e alertou que "muitas pessoas vão ser infetadas" com a nova
variante sem que sejam impostas mais restrições para o impedir.Israel
consta entre os países com as mais altas taxas de vacinação e está já a
fazer ensaios clínicos para testar a eficácia da quarta dose da vacina
BioNTech/Pfizer contra a covid-19 em seis mil pessoas, incluindo 150
profissionais de saúde.O
estudo, o primeiro deste tipo no mundo, está a ser realizado em
coordenação com o Ministério da Saúde israelita, que aguarda os
resultados para começar a administrar a quarta dose à população com mais
de 60 anos, com problemas de imunidade e a profissionais do setor da
saúde, tal como recomendado na semana passada pelo comité de peritos que
aconselha o Governo na resposta à pandemia da covid-19.A
covid-19 provocou mais de 5,40 milhões de mortes em todo o mundo desde o
início da pandemia, segundo o mais recente balanço da agência
France-Presse (AFP).A
doença respiratória é provocada pelo coronavírus SARS-CoV-2, detetado
no final de 2019 em Wuhan, cidade do centro da China, e atualmente com
variantes identificadas em vários países.