Israel pede a pessoal médico para abandonar cidade de Gaza
Médio Oriente
21 de ago. de 2025, 15:13
— Lusa/AO Online
O aviso começou a ser feito na
terça-feira pela COGAT, a autoridade militar israelita responsável pelos
territórios palestinianos, segundo um comunicado citado pelas agências
espanholas EFE e Europa Press.“Como parte
dos preparativos para a transferência da população da cidade de Gaza
para o sul, (…) a direção de coordenação e ligação da COGAT emitiu os
primeiros alertas aos médicos e organizações internacionais”, disse o
exército.No contacto, foi pedido a cada
organização que preparasse “um plano para transferir a equipa médica do
norte para o sul, de modo a poder atender todos os pacientes no sul da
Faixa”.Os militares disseram que os
hospitais no sul da Faixa de Gaza estavam a ser adaptados para “receber
doentes e feridos, juntamente com um aumento na entrada de equipamento
médico necessário, de acordo com os pedidos das organizações
internacionais”.O comando israelita
partilhou uma gravação de uma chamada telefónica em que um membro do
COGAT, com a voz distorcida, avisava um funcionário da saúde “sobre a
possibilidade de o exército entrar na cidade de Gaza”.Avisava ser necessário proceder à “evacuação prévia” da cidade.“Assim,
poderão prestar assistência a todos os pacientes no sul da Faixa e
preparar os hospitais para receber os pacientes que vêm do norte”, disse
o elemento do COGAT, de acordo com a gravação.O
mesmo elemento disse ser importante que os médicos recebam a informação
de uma fonte oficial e que lhes será proporcionado “um lugar para
ficar, seja um hospital de campanha ou qualquer outro hospital”.A EFE não conseguiu obter testemunhos de médicos de Gaza que confirmassem ter recebido as chamadas de elementos do COGAT.O
primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, ordenou ao exército na
quarta-feira que encurtasse os prazos “para tomar o controlo dos
últimos bastiões terroristas e garantir a derrota do Hamas”.Horas depois, o exército anunciou que já controlava as entradas da capital do enclave palestiniano. Cinco
divisões do exército devem participar na ofensiva, para a qual foram
mobilizados 60.000 reservistas adicionais, de acordo com a agência de
notícias France-Presse (AFP).O plano prevê
a deslocação da população da cidade de Gaza para o sul, mas o chefe da
Agência das Nações Unidas para os Refugiados Palestinianos, Philippe
Lazzarini, advertiu hoje que “muitos nem sequer terão forças para se
deslocar”.Os palestinianos estão
enfraquecidos após cerca de dois anos de conflito armado e sofrem de
fome, principalmente as crianças, com uma taxa de desnutrição grave que
se multiplicou por seis desde março, segundo a agência conhecida pela
sigla inglesa UNRWA.“Isto significa que,
se nenhuma medida for tomada, certamente [essas crianças] estão
condenadas à morte”, afirmou Lazzarini num evento organizado pelo Clube
de Imprensa Suíço em Genebra, citado pela EFE.A
guerra em Gaza foi desencadeada pelo ataque de 07 de outubro de 2023 do
Hamas no sul de Israel, que causou cerca de 1.200 mortos e 250 reféns.A
ofensiva israelita que se seguiu ao ataque provocou mais de 62.100
mortos até agora, segundo dados do governo do Hamas, que controla o
território desde 2007.O grupo extremista é qualificado como uma organização terrorista por Israel, Estados Unidos e União Europeia.