Israel continua a exigir libertação de todos os reféns para cessar-fogo
Médio Oriente
20 de ago. de 2025, 15:07
— Lusa/AO Online
Após mais de
22 meses de guerra, o movimento islâmico palestiniano anunciou na
segunda-feira que aceitou a proposta dos mediadores — Egito, Catar e
Estados Unidos — para uma trégua de 60 dias acompanhada da libertação
dos reféns em duas etapas.Mas, Israel “não
mudou” a sua política e continua a “exigir a libertação” de todos os
reféns, “de acordo com os princípios estabelecidos pelo gabinete [do
primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu] para pôr fim à guerra”,
afirmou a fonte governamental israelita, em declarações à agência de
notícias francesa AFP.“Estamos numa fase
decisiva final contra o Hamas e não deixaremos nenhum refém para trás”,
acrescentou a fonte, enquanto se aguarda uma resposta formal de Israel à
proposta dos mediadores.Os novos esforços
diplomáticos recomeçaram quando o exército israelita lançou as suas
operações para tomar o controlo da cidade de Gaza e dos campos de
refugiados vizinhos, com o objetivo declarado de acabar com o Hamas e
libertar todos os reféns.Saudando a
resposta “muito positiva” do Hamas, o Qatar salientou anteriormente que a
proposta retomava “quase na íntegra” um plano norte-americano
anteriormente aceite por Israel. No entanto, a diplomacia do Qatar evitou falar de “avanço”.O
texto baseia-se num plano anterior do enviado norte-americano Steve
Witkoff: a libertação de dez reféns vivos e os restos mortais de 18
reféns mortos em troca de uma trégua de 60 dias e de negociações para
pôr fim à guerra, informou a rádio pública Kan.“O
Hamas e as [outras] fações esperam (...) que Netanyahu não coloque
obstáculos e entraves” à colocação em prática do acordo, disse à AFP um
membro do gabinete político do movimento islâmico, Izzat al-Rishq.Ministros
de extrema-direita, como o de Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, por
sua vez, alertaram Netanyahu para não “ceder ao Hamas”, considerando que
“não tem mandato para concluir um acordo parcial”.Apesar
dos esforços dos mediadores, as partes em conflito não conseguiram até
agora chegar a um cessar-fogo duradouro na guerra que assola Gaza,
desencadeada em resposta por um ataque sem precedentes do Hamas contra
Israel em 07 de outubro de 2023.Dos 251 reféns sequestrados naquele dia, 49 continuam detidos em Gaza, dos quais 27 estão mortos, segundo o exército israelita.Duas
tréguas anteriores, em novembro de 2023 e no início de 2025, permitiram
o regresso de reféns vivos e mortos em troca da libertação de
prisioneiros palestinianos.A nova proposta
surge num momento em que o gabinete de segurança israelita aprovou um
plano de conquista da cidade de Gaza, apresentado na terça-feira pelo
Estado-Maior ao ministro da Defesa.No
terreno, a Defesa Civil de Gaza registou pelo menos 48 mortos em todo o
território palestiniano, nomeadamente durante os ataques israelitas aos
bairros de Zeitoun e Al-Sabra, na cidade de Gaza.Desde o início da guerra, Israel sitiou em Gaza mais de dois milhões de palestinianos ameaçados pela fome, segundo a ONU.A
ONU declarou hoje que não foi autorizada a entregar abrigos na região,
enquanto os planos israelitas de tomar o controle da cidade de Gaza
preveem a transferência dos habitantes para o sul.O
ataque de 7 de outubro causou a morte de 1.219 pessoas do lado
israelita, na sua maioria civis, de acordo com uma contagem da AFP
realizada a partir de dados oficiais.A
ofensiva de retaliação israelita causou 62.064 mortes em Gaza, na sua
maioria civis, de acordo com dados do Ministério da Saúde do Hamas,
considerados fiáveis pela ONU.