Israel avisa flotilha de que não deixará nenhum navio entrar numa "zona de combate"
Médio Oriente
22 de set. de 2025, 17:46
— Lusa/AO Online
"Se o
desejo genuíno dos participantes da flotilha é entregar ajuda
humanitária, Israel apela a que os navios, em vez de servirem o Hamas,
atraquem no porto de Ascalon e descarreguem a ajuda aí, de onde será
transferida rapidamente e de forma coordenada para a Faixa de Gaza",
afirmou o Ministério dos Negócios Estrangeiros num comunicado.O
Governo israelita exortou os membros da iniciativa humanitária, que
alegou também ser "apoiada pelo grupo jihadista Hamas", a "não violarem a
lei" e a aceitarem a proposta de Israel de "transferir pacificamente"
qualquer ajuda a Gaza para território israelita.A
flotilha denunciou no domingo a presença de "múltiplos drones" nas
proximidades dos seus navios que navegam em águas internacionais em
direção à Faixa de Gaza.Cerca de 300 voluntários de 44 países fazem parte do esforço para levar ajuda humanitária ao enclave palestiniano.A
iniciativa é composta por ativistas, políticos, jornalistas e médicos,
incluindo portugueses, e é considerada a maior flotilha organizada até à
data, procurando levar ajuda humanitária ao enclave palestiniano e
denunciar o cerco israelita à Faixa de Gaza.A
bordo da flotilha seguem a coordenadora do Bloco de Esquerda, Mariana
Mortágua, o ativista Miguel Duarte e a atriz Sofia Aparício.A
flotilha, na qual também participa a ativista ambiental sueca Greta
Thunberg, zarpou na semana passada da Tunísia, após vários adiamentos
devido à segurança, à preparação dos barcos e às condições
meteorológicas.Os navios pretendem chegar a
Gaza para entregar ajuda humanitária e "quebrar o bloqueio israelita",
depois de duas tentativas terem sido bloqueadas por Israel em junho e
julho.Em agosto, as Nações Unidas
declararam o estado de fome em parte da Faixa de Gaza, palco de uma
guerra desencadeada pelo ataque do Hamas em solo israelita, a 07 de
outubro de 2023, que provocou cerca de 1.200 mortos e mais de duas
centenas de reféns.A retaliação de Israel
já provocou mais de 65 mil mortos, a destruição de quase todas as
infraestruturas de Gaza e a deslocação forçada de centenas de milhares
de pessoas.Israel também impôs um bloqueio
à entrega de ajuda humanitária no enclave, onde mais de 400 pessoas já
morreram de desnutrição e fome, a maioria crianças.