Iscte é a universidade portuguesa com artigos científicos mais relevantes a nível mundial
29 de jul. de 2025, 16:11
— Lusa/AO Online
Os
dados constam na análise "Produção Científica Portuguesa, 2014-2023:
Ensino Superior Público Universitário", da Direção-Geral de Estatísticas
de Educação e Ciência (DGEEC).O documento
refere que, analisando a percentagem de publicações (artigos e
revisões) entre as 10% mais citadas a nível mundial, "verifica-se que o
Instituto Universitário de Lisboa se destaca com 13,3%, refletindo um
aumento de 22% face ao quinquénio anterior", de 2014–2018."Seguem-se
a Universidade do Algarve, com 12,9%, e a Universidade de Lisboa, com
12,7%", adianta a DGEEC, assinalando que "estes resultados atestam, não
só a qualidade intrínseca da investigação produzida, mas também a sua
relevância e visibilidade no panorama científico internacional".A
métrica do 'top' 10% das publicações mais citadas a nível mundial é
utilizada para avaliar o impacto e a relevância da investigação
científica.A análise da DGEEC baseia-se em
dados bibliométricos extraídos da plataforma internacional InCites, da
Clarivate Analytics, cuja fonte é a Web of Science – Core Collection,
que contém registos de artigos das revistas científicas de maior impacto
no mundo, incluindo as de acesso aberto.Medindo
o impacto das publicações científicas, através do número de citações,
todas as instituições universitárias portuguesas, com exceção da
Universidade Aberta (0,80), da Universidade de Évora (0,82) e da
Universidade da Madeira (0,99), apresentam um valor acima da média
mundial (1,00). "O que significa que as
suas publicações são, em média, mais citadas do que o esperado para
publicações com características semelhantes", conclui a DGEEC,
acrescentando que os valores mais elevados são registados pela
Universidade de Lisboa (1,19), cujos artigos científicos receberam, em
média, mais 19% de citações do que o esperado, seguindo-se a
Universidade do Algarve e a Universidade do Porto (ambas com um impacto
de 1,16).Considerando o indicador da
qualidade das revistas científicas onde são publicados os artigos, a
Universidade de Aveiro (53,7%), a Universidade do Algarve (53,5%) e a
Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (52,4%) são as instituições
que mais se destacam entre 2019 e 2023 na divulgação de estudos em
revistas com maior impacto e visibilidade, de acordo com a DGEEC.Durante
este período, as universidades que mais publicaram em revistas
científicas são as de Lisboa (37.644 publicações), Porto (32.735) e
Coimbra (20.292), com os números a refletirem, em parte, a maior
dimensão e estrutura destas instituições, bem como os centros de
investigação que integram. Comparativamente
com 2014 a 2018, são, no entanto, as instituições de menor dimensão que
registam entre 2019 e 2023 um crescimento mais expressivo no número de
publicações: 44% na Universidade da Madeira, 33% na Universidade de
Évora e 32% no Iscte - Instituto Universitário de Lisboa."Estes
aumentos evidenciam um dinamismo significativo na atividade científica
destas instituições, possivelmente associado a estratégias
institucionais de reforço da investigação e intensificação da
colaboração externa", salienta a DGEEC.A
publicação de artigos científicos em acesso aberto "é atualmente uma
prática consolidada entre as instituições de ensino superior
portuguesas", com todas as universidades públicas a apresentarem mais de
50% das suas publicações neste registo entre 2019 e 2023, destacando-se
à cabeça as dos Açores (69,7%), de Évora (67,7%) e Algarve (64,6%).De
acordo com a DGEEC, "estes dados evidenciam uma adesão às orientações
nacionais e internacionais em matéria de ciência aberta, com implicações
positivas para a visibilidade e disseminação do conhecimento
produzido".A análise revela, quanto à
colaboração científica, que existe "uma tendência geral de crescimento
da internacionalização das publicações", sendo que as universidades do
Algarve (67,7%), dos Açores (67,6%) e da Madeira (64,7%) são as
instituições portuguesas com maior percentagem de publicações em
coautoria com instituições estrangeiras."Sobretudo
em instituições localizadas em regiões mais periféricas, a colaboração
internacional constitui uma via relevante para integrar redes globais de
investigação", considera a DGEEC. As
universidades "com menor percentagem de colaboração internacional" entre
2019 e 2023 "tendem a apresentar maior proporção de publicações
nacionais em coautoria com outras instituições portuguesas", como a
Universidade Aberta (52,0%), a Universidade de Trás-os-Montes e Alto
Douro (46,7%) e a Universidade da Beira Interior (42,4%).