O Núcleo Regional dos Açores da IRIS - associação nacional de ambiente
demonstrou preocupação relativamente ao “estado de degradação” do Museu
do Trigo, no concelho da Povoação. A associação defende a necessidade de
realização de obras de “renovação e conservação” do referido espaço,
nomeadamente da “escada exterior e da roda que fazia mover as máquinas”.Através
nota de imprensa, a IRIS refere que o museu conta com alguns elementos
em madeira que apresentam “sinais evidentes de envelhecimento e
degradação”, existindo também estruturas que “aparentam encontrar-se
fragilizadas”. Esta situação pode acabar por comprometer a “preservação
do património” e “representar riscos para a utilização e visita ao
espaço”.A associação apela à Câmara Municipal da Povoação para que
seja feita uma avaliação “urgente” do estado atual do Museu do Trigo,
promovendo a realização das “intervenções necessárias à sua recuperação,
conservação e valorização, evitando que a degradação atualmente visível
se agrave”.A IRIS refere também que está em causa a “salvaguarda de
um património que testemunha uma atividade agrícola fundamental na
história dos Açores”, constituindo uma “parte importante da memória
coletiva da população” da Povoação e da ilha de São Miguel como um todo.O
Museu do Trigo é o único museu de São Miguel dedicado especificamente à
cultura do trigo. Assim sendo, o local assume particular importância na
preservação de “conhecimentos, técnicas, instrumentos e elementos
materiais relacionados com uma atividade que marcou profundamente a vida
das comunidades rurais açorianas”.A associação informa também que
considera “igualmente importante” a definição de uma estratégia de médio
e longo prazo para o espaço, garantindo a sua “manutenção regular, a
valorização do seu espólio e a sua efetiva integração numa política de
preservação e divulgação do património cultural e etnográfico da
Povoação e de São Miguel”.O Núcleo Regional dos Açores da IRIS deixa
ainda uma garantia: “Esta posição enquadra-se plenamente nos objetivos
da associação, nomeadamente na conservação do património arquitetónico e
paisagístico, na preservação do património cultural imaterial, na
utilização sustentável dos recursos e na sensibilização da sociedade
para a necessidade de preservar os valores naturais e culturais”.“A
conservação do património não pode limitar-se à sua identificação ou
valorização documental. É necessário garantir a sua manutenção,
recuperação e transmissão às gerações futuras. Um museu dedicado à
cultura do trigo só cumpre verdadeiramente a sua função se o património
que alberga estiver devidamente preservado e se as suas condições
permitirem a sua fruição pública com segurança e dignidade”, refere a
nota de imprensa.O edifício em questão foi construído por volta de
1854, tendo o propósito, na altura, de realizar a a debulha e moagem de
cereais, separando o grão e a palha. A recessão cerealífera que se fez
sentir por toda a ilha, em meados do século XX, fez com que o edifício
ficasse abandonado, permanecendo assim por mais de duas décadas. Em
1995, a Câmara Municipal da Povoação adquiriu o referido espaço com o
propósito de o reconstruir e transformá-lo, posteriormente, em museu
etnográfico.Segundo informações disponíveis no seu portal digital, a
IRIS é uma associação sem fins lucrativos, de âmbito nacional, que rege
a sua atividade com “total independência” de partidos políticos, de
empresas e entidades com fins lucrativos, de organizações de natureza
confessional e do poder político.A associação está organizada em
grupos de trabalho e em núcleos regionais de associados espalhados por
Portugal Continental e pelas Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira.
Em termos gerais, a associação tem como objeto a “defesa e valorização
do património natural e cultural, bem como a conservação da natureza”.
O Açoriano Oriental tentou perceber a posição da autarquia relativamente à situação, sem sucesso.