Irão: Trump ameaça atacar com mais força se Teerão não travar aliados no Líbano

Hoje 19:08 — Lusa

"O Irão deve imediatamente impedir que os seus aliados altamente bem pagos no Líbano causem problemas. Se não o fizerem, atacaremos o Irão com muita força outra vez, tal como fizemos na semana passada, só que com mais força!!”, escreveu Donald Trump na sua rede Truth Social.O memorando de entendimento para pôr fim à guerra, assinado na quarta-feira passada por Trump e pelo Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, prevê a cessação de hostilidades no Líbano entre Israel e Hezbollah.Apesar de um cessar-fogo ter entrado em vigor no sábado, os combates mantêm-se no sul do Líbano e os ataques israelitas fizeram mais de 120 mortos nas últimas 48 horas, afirmou o Ministério da Saúde libanês.Em declarações à cadeia norte-americana Fox News, o líder norte-americano insistiu nas ameaças a Teerão.Trump disse ter avisado os negociadores iranianos, que estão a participar, na Suíça, em conversações com o vice-presidente dos EUA, JD Vance, de que não terá problemas em aniquilar o Irão se as negociações não derem frutos ou se Teerão decidir manter o encerramento do estreito de Ormuz, como anunciou no sábado em retaliação pela ofensiva israelita no Líbano."Disse-lhes que, se fechassem o estreito, ficariam sem país. Eles nem sequer vão conseguir voltar para o seu maldito país", disse o Presidente à Fox News, quando arrancou a cimeira diplomática na cidade suíça de Bürgenstock.Além disso, Trump voltou a insistir na ameaça de que os Estados Unidos podiam tomar o estreito de Ormuz à força e até atuar como "cobrador de portagem", como o Irão fez durante o conflito iniciado com os ataques israelo-americanos em 28 de fevereiro.O Presidente adiantou que podia até tornar-se o "anjo da guarda do estreito e ficar com 20% do petróleo"."Podíamos tomar o controlo do estreito, se necessário. Podia devastar o país se quisesse. E se não chegarem a um acordo, cobraremos as portagens", avisou.O estreito de Ormuz é uma passagem estratégica entre o oceano Índico e o golfo Pérsico, por onde transitava um quinto da produção mundial de petróleo antes do início do conflito. Teerão encerrou esta travessia na sequência dos ataques israelo-americanos no fim de fevereiro.As negociações a decorrer na Suíça, sob mediação do Paquistão e do Qatar, são ensombradas pela continuação da ofensiva israelita no sul do Líbano, apesar de um novo cessar-fogo estar em vigor desde sábado, e o novo encerramento do estreito de Ormuz declarado pelo Irão em retaliação a esses ataques, pelos quais Teerão responsabilizou os Estados Unidos.O Ministério da Saúde libanês deu conta de mais de 120 mortes em ataques israelitas nas últimas 48 horas.Israel e Hezbollah afirmaram-se comprometidos com o cessar-fogo, mas acusaram-se mutuamente de violações.Teerão colocou o cessar-fogo no Líbano no topo da agenda dos encontros, enquanto Israel já garantiu que vai manter as forças no sul do país vizinho e que estas vão poder operar “sem restrições” perante ameaças.