Irão: Trump afirma que país "deixará de existir" se EUA voltarem à guerra

Hoje 10:57 — Lusa

"Os aviões norte-americanos acabaram de atacar depósitos de mísseis e drones iranianos, bem como estações de radar costeiras, por violarem, MAIS UMA VEZ, o acordo de cessar-fogo!", escreveu Trump no sábado, na rede social que detém, Truth Social."É muito provável que nunca aprendam! Pode chegar o momento em que já não possamos agir racionalmente e sejamos obrigados a concluir pela força militar a missão que tão bem começámos. Se isso acontecer, a República Islâmica do Irão deixará de existir!", acrescentou.Os EUA atacaram “vários alvos” no Irão, no sábado, em resposta a um ataque a um navio próximo do estreito de Ormuz.De acordo com o Comando Central do Exército dos EUA (Centcom, na sigla em inglês), responsável pelo Médio Oriente, as forças norte-americanas efetuaram ataques aéreos contra “infraestruturas de vigilância militar iranianas, sistemas de comunicação, instalações de defesa aérea, instalações de armazenamento de drones e meios de colocação de minas”.O Centcom afirmou que "o tráfego marítimo comercial no estreito de Ormuz continua" apesar dos novos ataques.Os meios de comunicação iranianos noticiaram diversas explosões nas regiões de Sirik e Qeshm, no sul do país.Estes ataques ocorreram depois de o Irão ter atacado com um drone unidirecional o petroleiro Kiku, de bandeira panamiana, que transportava mais de dois milhões de barris de petróleo no estreito de Ormuz.De acordo com portais especializados, o Kiku partiu de um campo petrolífero do Qatar no meio do golfo Pérsico, no início da semana, e estava a caminho de um porto nos Emirados Árabes Unidos, localizado no golfo de Amã, do outro lado do estreito de Ormuz.O navio estaria a tentar utilizar uma rota estabelecida perto da costa de Omã, que serve de alternativa à rota que passa por águas iranianas.Na sexta-feira, os EUA já tinham atacado "locais de armazenamento de mísseis e drones" e "localizações de radar costeiro" iranianos, porque Teerão tinha atacado um navio comercial que transitava pelo estreito de Ormuz.Esta troca de ofensivas ocorre apesar do acordo de Teerão com Washington para reabrir a via navegável como parte de um memorando de paz preliminar, assinado em 17 de junho, que estabeleceu um cessar-fogo e abriu um período de negociações para uma paz duradoura.Antes da guerra, 20% do comércio mundial de hidrocarbonetos passava pelo estreito de Ormuz, que tem cerca de 30 quilómetros de largura entre o Irão e a Península Arábica.Este estreito estratégico continua a ser um importante ponto de discórdia entre os dois lados, com Teerão a procurar agora impor taxas de trânsito, uma proposta categoricamente rejeitada por Washington.