Irão recusa colaborar na investigação da ONU sobre violação de direitos humanos
28 de nov. de 2022, 12:25
— Lusa/AO Online
"O Irão não vai cooperar
de nenhuma forma com a missão sobre supostos problemas com os direitos
humanos", disse em conferência de imprensa o porta-voz do Ministério dos
Negócios Estrangeiros iraniano, Naser Kanani."Teerão
condena o impulsivo uso das questões sobre direitos humanos contra
nações independentes", sublinhou o porta-voz diplomático iraniano. Kanani considerou
como "abuso" a "resolução aprovada na semana passada pelo Conselho de
Direitos Humanos da ONU que caracterizou como "comité político".A
resolução estabelece a criação de uma missão independente de
investigação que vai ter como objetivo "recolher e analisar provas" de
violações dos direitos humanos na sequência da repressão que causou mais
de 300 mortos, entre os quais 40 crianças e cerca de 15 mil detenções. Além
das 15 mil pessoas presas nas manifestações, duas mil das quais
acusadas de vários delitos por participação nos protestos, seis foram
condenadas à morte. A proposta aprovada
por 25 votos a favor, 16 abstenções e seis contra, entre estes da
República Popular da China que tentou, sem êxito, que se retirasse do
texto da resolução as partes referentes à criação da comissão de
investigação.Kanani assinalou diretamente a
Alemanha como um dos principais países "promotores da resolução" tendo
referido que os Estados Unidos, Israel e França fomentam os protestos. "Vemos
o governo alemão a afirmar que apoia os direitos humanos, os direitos
das mulheres e tudo o mais, mas é um governo que provocou duas guerras
mundiais e que não pode fazer estas reivindicações", afirmou o
porta-voz. O Ministério dos Negócios
Estrangeiros convocou na segunda-feira o embaixador alemão em Teerão,
Hans-Udo Muzel, pela atitude do país face ao Irão.Trata-se
da terceira vez que o embaixador alemão é chamado ao Ministério dos
Negócios Estrangeiros do Irão desde que começaram os protestos. O
porta-voz governamental iraniano apresentou na conferência de imprensa
máscaras antigás para recordar que na guerra entre o Irão e o Iraque,
nos anos 1980, "países ocidentais, e em particular a Alemanha"
forneceram a Bagdade material para o fabrico de armas químicas. No próximo dia 30 de novembro assinala-se o dia das vítimas da Guerra Química, disse Kanani.Os
protestos no Irão começaram após a morte da jovem curda iraniana de 22
anos, presa por não respeitar o código de vestuário obrigatório para as
mulheres.Os manifestantes pedem o fim da República Islâmica implantada em 1979.