Irão: Estreito de Ormuz "é e continuará a ser iraniano"
Hoje 12:00
— Lusa
"O estreito de Ormuz foi iraniano, é iraniano e continuará a ser iraniano. Este estreito só será aberto e fechado por ordem do Irão", disse o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros."Enquanto se recusarem a aceitar a realidade da vossa derrota e continuarem a iludir-se, o Irão continuará a impor um bloqueio", declarou Gharibabadi, na rede social X."O estreito de Ormuz não pode ser invadido por um 'tweet' ou um porta-aviões, nem por um decreto presidencial, nem por um discurso de campanha eleitoral", enfatizou ainda o responsável iraniano.Na sexta-feira, o Presidente norte-americano Donald Trump reiterou que os EUA têm o controlo do estreito de Ormuz e invocou mesmo a possibilidade de declarar aquela via estratégica "território dos Estados Unidos". "Assim que derrotarmos o Irão (...), em breve declararei o estreito de Ormuz como território dos EUA", disse Trump, com um ligeiro sorriso, num comício em Garden City, perto de Nova Iorque. Na prática, a passagem estratégica para o comércio global de petróleo está bloqueada pelo Irão desde o início da guerra, enquanto os Estados Unidos impuseram um bloqueio aos portos iranianos.Um navio da ADNOC foi atacado na sexta-feira à noite quando transitava pelo estreito de Ormuz, anunciou hoje a petrolífera estatal dos Emirados Árabes Unidos, num comunicado divulgado pela agência noticiosa oficial emirati WAM."O incidente não resultou em feridos e a situação está controlada", acrescentou a ADNOC.Dois navios da petrolífera dos Emirados Árabes Unidos tinham sido atacados na quinta-feira à noite no estreito de Ormuz, sem causar vítimas, segundo o Governo emirati, que responsabilizou o Irão pelo ataque.Também na sexta-feira, o chefe da diplomacia do Irão acusou os EUA de violar o acordo assinado em junho, que, disse Abbas Araqchi, representava "o fim da guerra, não um cessar-fogo".O ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão declarou que, segundo o memorando de entendimento assinado em Islamabad, "não há cessar-fogo de 60 dias que necessite de ser prolongado".De acordo com a agência de notícias iraniana ISNA, Araqchi sustentou que “ainda não foi tomada qualquer decisão para retomar as negociações” com os EUA, numa altura em que as conversações continuam estagnadas.O memorando de entendimento alcançado em junho para pôr um fim definitivo ao conflito falhou no início de julho, antes de Donald Trump suspender os ataques no final do mês, condicionando a pausa à rápida conclusão de um acordo.O termo do prazo de 60 dias estabelecido no memorando assinado a 17 de junho termina na segunda-feira, 17 de agosto.