Irão anuncia represálias após Estados Unidos imporem novas sanções
9 de dez. de 2021, 12:54
— Lusa/AO Online
O chefe adjunto do judiciário
iraniano, Kazem Gharbabadi, anunciou “uma nova lista de instituições
norte-americanas e indivíduos implicados em graves violações dos
direitos humanos sancionados pelo Irão e que será brevemente publicada".As
alegações apresentadas pelas autoridades iranianas para estas sanções
são as mesmas referidas na terça-feira pelos Estados Unidos contra duas
entidades e responsáveis iranianos. Segundo
a agência de notícias iraniana Mizan, Gharibabadi, que também é
secretário-geral do Comité de Direitos Humanos do Irão, acusou "os
Estados Unidos de usarem as sanções sob falsos pretextos de direitos
humanos como uma ferramenta para alcançar objetivos políticos".Num
comunicado divulgado na terça-feira, o Departamento do Tesouro dos
Estados Unidos declarou que "continuaria a lutar contra o autoritarismo"
e promoveria "a responsabilização pela repressão violenta às pessoas
que buscam exercer os seus direitos humanos e liberdades fundamentais".O
anúncio destas sanções ocorre após a reinício das negociações do acordo
internacional sobre o nuclear iraniano na semana passada, em Viena -
nas quais os Estados Unidos participam de forma indireta. As
discussões para tentar salvar o pacto, que estiveram suspensas durante
de cinco meses, deverão recomeçar hoje após um intervalo de cinco dias.Concluído
em 2015 entre o Irão e as grandes potências (Estados Unidos, Rússia,
China, França, Reino Unido e Alemanha), o acordo foi posto em causa pela
retirada unilateral de Washington, em 2018, com o consequente
restabelecimento das sanções, o que levou Teerão a desvincular-se da
maioria dos seus compromissos. O acordo
oferece a Teerão o levantamento de parte das sanções que sufocam a sua
economia em troca de uma redução drástica do programa nuclear, colocado
sob estrito controlo da ONU.