IPSS e Misericórdias dos Açores contra propostas sobre creches, amas e apoios à ação social
3 de dez. de 2024, 18:06
— Lusa/AO Online
João
Canedo Reis, presidente da União Regional das Instituições Particulares
de Solidariedade Social dos Açores (URIPSSA), manifestou a sua
discordância em relação a uma proposta apresentada pelo Bloco de
Esquerda, que defendia a criação de uma Rede Pública de Creches na
Região, no sentido de colmatar a ausência de vagas que se verifica
atualmente.“Concordo que haja mais
protocolos com as IPSS, para poderem apoiar as crianças em creches, mas
não que haja creches em rede pública. Se o sistema está a funcionar bem,
para que é que vamos criar um outro sistema? É isso que eu não
compreendo nesta proposta, e por isso, não concordo com ela”, explicou o
representante da URIPSSA, ouvido na Comissão de Assuntos Sociais
da Assembleia Regional, em Angra do Heroísmo.Também
Bento Barcelos, presidente da União Regional das Misericórdias dos
Açores (URMA), dá parecer negativo à proposta do BE, por entender que o
diploma “não acrescenta” muito à legislação que está atualmente em vigor
em matéria de acesso às creches para as crianças açorianas.“Além
disso, o proponente não diz quanto é que uma rede pública de creches
irá custar”, disse o representante da URMA, adiantando que uma resposta
pública como aquela que o Bloco propõe “vai obrigar a um grande
investimento” público.As IPSS e as
Misericórdias dos Açores também se opõem à proposta da bancada do PS, o
maior partido da oposição na região, que pretende regularizar a
atividade das amas no arquipélago, integrando-as nas creches e nos
jardins de infância que já existem, no sentido de acabar com a
precariedade e regularizar os respetivos contratos de trabalho.“Eu
não estou a ver o que é que esta alteração vai melhorar. Vai melhorar,
efetivamente, uma coisa: as amas, porque vão ficar com um contrato de
trabalho ou vão ficar vinculadas a uma instituição, mas vai criar um
problema de sustentabilidade às IPSS. Portanto, é mais uma proposta com a
qual não concordo”, afirmou João Canedo Reis, durante a audição.Uma
posição partilhada também por Bento Barcelos, para quem as instituições
sociais existentes na região não têm capacidade para incluir nos seus
quadros as cerca de 40 amas que atualmente desempenham a sua atividade, a
título particular, nas ilhas.“Eu
compreendo os objetivos desta proposta, mas direcionar essa
responsabilidade, num primeiro plano, para as instituições enquadradoras
do setor social é que me parece aqui um enorme risco”, explicou o
presidente da URMA, advertindo para o facto de as instituições sociais
não terem “capacidade de resposta” para assumirem esse papel.Por
fim, os representantes das IPSS e das Misericórdias dos Açores também
colocam grandes reservas ao diploma apresentado pelo Governo Regional, que pretende alterar o regime de apoios à ação social
nos Açores, no sentido de incluir ajudas financeiras aos privados que
queiram exercer a atividade.“Não temos
mais-valia nenhuma com esta proposta. Temos é a parte dos privados, que
efetivamente vão entrar nas IPSS. O que eu acho que tem de haver é um
investimento nas IPSS que já existem e não na área privada”, apontou
João Canedo Reis.Já Bento Barcelos teme
que a proposta apresentada pelo executivo comporta grandes “riscos”, em
matéria de qualidade da prestação dos serviços sociais, que deviam ser
previamente acautelados.“Desde logo, o
risco de mercantilização dos serviços socais. Isto é um perigo! A
componente do negócio é muito válida, mas é também muito focada para o
lucro”, lembrou o presidente da URMA, acrescentando que poderá
verificar-se alguma perda de “qualidade” no serviço prestados aos
utentes.