IPSS dos Açores querem abrir creches sem educadores de infância por falta de mão de obra
9 de set. de 2024, 18:03
— Lusa/AO Online
“Uma das categorias mais
difíceis de arranjar tem a ver com as educadoras de infância. Algumas
estão a ir para o público. Cada vez mais queremos abrir vagas de
creches, mas não temos as educadoras”, adiantou, em declarações aos
jornalistas, o presidente da URIPSSA, João Canedo.O
responsável falava à margem da sessão de abertura do I Encontro de
Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) dos Açores, na
Praia da Vitória, na ilha Terceira.João
Canedo revelou que vai propor ao executivo açoriano que “não seja
obrigatório ter uma educadora de infância" nas creches e que se possa
ter, em alternativa, "uma educadora social, uma socióloga ou um
psicólogo”.“Estamos a propor que possa haver uma alteração, visto que há essa falta de mão de obra de educadoras de infância”, justificou.Durante
seis dias, as IPSS dos Açores vão debater boas práticas que já se
aplicam na região e exemplos do continente que possam ser replicados no
arquipélago.O encontro divide-se em três
áreas de intervenção. Na Praia da Vitória, discutem-se os cuidados
prestados a idosos, em Angra do Heroísmo, os cuidados prestados a
pessoas com deficiência, e na Ribeira Grande, na ilha de São Miguel, as
respostas a crianças e jovens.Segundo João
Canedo, existem atualmente 223 IPSS nos Açores, que empregam cerca de
6.000 pessoas, mas “cada vez mais é mais difícil arranjar empregados”.Quanto
aos meios financeiros, apesar de pedir “sempre mais”, o presidente da
URIPSSA disse que no mandato anterior do executivo açoriano foram
atribuídos apoios que permitiram dar “sustentabilidade” às instituições.“Esperemos
que com a senhora secretária da Saúde e Segurança Social possamos dar
continuidade deste trabalho e ir ao encontro dos custos reais que as
instituições têm com os seus serviços e termos um valor padrão justo
para as IPSS”, apelou.A URIPSSA pretende ainda avaliar o retorno que o montante atribuído pelo Governo Regional tem na economia regional.A
nível nacional, um estudo concluiu que, por cada euro investido pelo
Estado, há um retorno de 4,87 euros, adiantou João Canedo.“Estamos
a tentar fazer um estudo com a Universidade Católica do Porto e com o
apoio das câmaras municipais e do Governo Regional, onde possamos ver
quantas pessoas trabalham nas IPSS, quantas pessoas nós apoiamos, o que é
que nós valemos para a economia regional”, explicou.Questionado
pelos jornalistas, o vice-presidente do executivo açoriano
(PSD/CDS/PPM), Artur Lima, considerou importante avaliar o impacto das
IPSS na economia e permitir que as instituições tenham acesso a apoios
atualmente disponíveis apenas para empresas.“Estou
a trabalhar, no âmbito da transição digital, para incluir as IPSS nessa
transição digital, porque elas bem precisam. Digo a transição digital
no acesso aos painéis solares, no acesso às energias renováveis. As IPSS
têm de estar em igualdade de direito com as empresas, porque também
criam emprego, também consomem no mercado, têm os mesmos direitos e
pagam impostos”, defendeu.O governante,
que no anterior mandato titulava a pasta da Solidariedade Social,
interveio na sessão de abertura do encontro, onde destacou o impacto do
complemento para a aquisição de medicamentos pelos idosos (Compamid),
que abrangeu 23 mil beneficiários em 2024, e o programa Novos Idosos,
que já integrou 250 utentes, tendo, entretanto, sido abertas mais 220
vagas.