IPSS dos Açores denunciam que estão em falta 4,2ME em majorações
Hoje 17:51
— Lusa/AO Online
Em
declarações à agência Lusa, o presidente da União Regional das
Instituições Particulares de Solidariedade Social dos Açores (URIPSSA)
explicou que os apoios às instituições sociais da região ainda não foram
majorados, porque o Governo Regional encomendou um
estudo sobre o custo real das instituições.Segundo
João Canedo foi realizado um estudo semelhante no continente português
em 2024 que resultou numa "majoração das instituições", situação que
ainda não aconteceu nos Açores."O ano
passado não conseguimos que houvesse majorações das valências para as
instituições dos Açores. Ficou a faltar essa majoração. Essas majorações
equivalem na Região Autónoma dos Açores a 4,2 milhões. Esse dinheiro é
claro que fez falta às instituições dos Açores", afirmou.O
presidente da URIPSSA reconheceu, contudo, que "vai ser muito difícil"
as Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) receberem o
dinheiro, já que o Governo Regional "não se comprometeu" com a verba.O
responsável alertou que a demora no processo pode comprometer a
sustentabilidade das IPSS, já que o estudo só deverá ficar concluído em
31 de julho, seguindo-se negociações do Governo Regional com a República
e com a URIPSSA e representantes das misericórdias."A
nossa preocupação é que isso vai levar tanto tempo que se calhar só
vamos receber em conformidade com o que se passou o ano passado, quando
só recebemos a 22 dezembro, o que para nós é muito complicado para a
gestão e sustentabilidade das instituições", avisou.João
Canedo recordou que no início do ano a URIPSSA "conseguiu com que o
Governo Regional cumprisse com o Código da Ação Social dos Açores", com o
pagamento do valor da taxa de inflação no ano anterior, que no caso
ficou acordado nos 2,4%.Contudo, o
pagamento do valor da inflação não contemplou as estruturas residenciais
para idosos, o lar residencial para pessoas com deficiência e os
jardins-de-infância.No caso dos
jardins-de-infância, que recebem verbas da direção regional da Educação,
existe "mais um problema com o Governo Regional", denunciou João
Canedo."A tranche de janeiro, fevereiro e
março, ou seja, o trimestre, ainda não foi pago. Não tendo havido um
aumento de 2,4% para os jardim-de-infância e ainda estarem em atraso os
valores da direção regional de Educação, torna a sustentabilidade
complicada", explicou.Face à situação,
existem instituições que "deixaram de pagar aos fornecedores, outras que
deixaram investimentos por fazer" e "houve mesmo quem não conseguisse
pagar o subsídio de férias"."Algumas
estruturas residenciais para idosos não conseguiram pagar o subsídio de
férias, outras decidiram pagar em tranches", referiu.João
Canedo deixou, por isso, um apelo ao Governo Regional para "pagar o que
é devido" e garantir "previsibilidade" ao funcionamento das IPSS."Quem
vai ser penalizado não são as intuições, é a comunidade. Apoiámos
crianças, jovens, pessoas com deficiência, idosos e outros. Se a
instituição não tem dinheiro para a sua sustentabilidade, é claro que
vai reduzir a qualidade do serviço. É isso que não queremos", insistiu.Em
resposta por escrito enviada à agência Lusa, o Governo Regional
salientou que apenas duas instituições em 94 que não vão pagar o
subsídio de férias em junho, confirmando tratar-se de IPSS que ficaram
de fora do acordo que contemplou os níveis de inflação e que teve a
“anuência” da URIPSSA.A secretaria da
Saúde e Segurança Social garantiu que, após a conclusão do estudo, o
executivo açoriano vai reunir-se com o Governo da República e
representantes do setor social, destacando a importância de aferir o
“custo real” das instituições para “reivindicar uma majoração” dos
apoios junto da República.“Uma das
valências que tem gerado bastante discordância é a valência de lar em
que a região já paga um valor muito acima daquilo que é pago a nível
nacional”, acrescentou o governo açoriano.A secretaria regional, liderada por Mónica Seidi, lembrou também que o pagamento dos vencimentos é da responsabilidade das IPSS.“Não
é a tutela da segurança social que faz a gestão diária de funcionamento
das instituições. Volto a frisar que o Governo Regional não paga
vencimentos”, salientou.