Investimentos do PRR Açores em habitação apresentam maior atraso na execução
4 de set. de 2025, 10:09
— Carlota Pimentel
A presidente do Conselho Económico e Social dos Açores (CESA), Piedade
Lalanda, afirmou que a habitação é o investimento com maior atraso na
execução financeira no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência
(PRR) na Região.Piedade Lalanda falava ontem aos jornalistas após
reunião extraordinária do CESA, onde foi apresentada a análise da
Proposta de Parecer sobre o Relatório Periódico de Monitorização do PRR
Açores – relativo ao quarto trimestre de 2024 e relativo ao primeiro
trimestre de 2025.“Há constrangimentos à habitação que têm a ver com
o número de obras públicas e de empresas de construção civil que estão
no mercado. A quantidade de obras que estão a acontecer - o volume - que
algumas empresas têm capacidade para responder e outras nem tanto”,
referiu. A responsável sublinhou que embora não seja “significativo”, aumentou-se a percentagem de execução do PRR. Piedade
Lalanda sustentou que a execução deve ser analisada em duas dimensões
distintas: metas e marcos, por um lado, e execução financeira, por
outro.“A questão da execução financeira tem que ser separada da
execução dos marcos e metas. A nível de marcos e metas, andamos entre
80% e 90% de execução. Em termos de execução financeira, ou seja, de
pagamentos efetuados, esses não correspondem, em alguns casos, à obra já
efetuada, porque tem a ver também com as etapas das próprias obras”,
explanou. A presidente do CESA recordou que, na segunda reprogramação, foi feita “uma redução da ambição e uma aposta numa alternativa”. E
prosseguiu: “ou seja, não desistir completamente, mas apostar na
questão dos terrenos infraestruturados para construção por parte de
privados. (...) Podemos ressuscitar na nossa Região as cooperativas de
habitação, porque estes terrenos infraestruturados podem perfeitamente
ser uma oportunidade para uma cooperativa de habitação”. “É pena que
se tenha baixado um bocadinho a ambição no âmbito da habitação social,
porque sabemos que esse é um dos nossos problemas. Os indicadores
referem que temos uma sobrelotação acima da média nacional e, portanto,
não faz sentido que não se procure respostas para estas famílias mais
carenciadas”, salientou.Quanto ao cumprimento do calendário, Piedade
Lalanda indicou que o último ano de execução será decisivo. “É um
bocadinho à boa portuguesa, quando estamos perto da meta final, sentimos
a pressão maior, mas temos que aproveitar este ano, sem dúvida, porque
vai ser muito importante para que chegue, a todos os níveis.”Risco de incumprimento de metas pode significar nova reprogramação do PRRO
risco de não cumprimento total de algumas metas existe a nível geral,
nos Açores, Madeira e no continente. Por isso, conforme explica o
presidente da Comissão Nacional de Acompanhamento do PRR, Pedro
Dominguinhos, de forma a maximizar as subvenções, não está excluída “a
possibilidade de haver uma nova reprogramação”. “Nós temos que
garantir, na medida do possível, que os investimentos que estão a ser
concretizados tenham o impacto positivo e desejado na vida das pessoas,
das empresas, dos territórios, das comunidades”, sustentou em
declarações aos jornalistas, após reunião extraordinária do CESA em que
foi convidado, relembrando que o PRRfoi criado para responder à
pandemia.Não obstante a possibilidade de nova reprogramação do PRR, o
presidente da Comissão Nacional de Acompanhamento do PRR afirma que
está “convencido” de que até ao final do ano terá de ser feita uma
“análise investimento a investimento”.“Nós temos que ter também a
coragem e a capacidade de retirar do PRR para financiamento aquilo que
não é exequível, que é para não corrermos o risco de não aproveitarmos e
não cumprirmos a meta em marco, porque aqui é o cumprimento da meta e
do marco, e se nós não cumprimos, não recebemos o dinheiro de Bruxelas”,
acrescentou.