Investigadores usam 35 mil amostras para avaliar infecciosidade de variantes
Covid-19
5 de mar. de 2021, 12:15
— Lusa/AO Online
Em
declarações à agência Lusa, Didier Cabanes, investigador e diretor do
centro de testagem à covid-19 criado no instituto da Universidade do
Porto, explicou que o projeto têm “duas vertentes”: uma científica e
outra técnica.No âmbito do programa
Horizonte 2020, o i3S recebeu um financiamento de 300 mil euros da
Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N),
tendo por base o seu biobanco de amostras nasofaríngeas testadas para o
SARS-CoV-2, que reúne mais de 35 mil amostras, um terço das quais
positivas para a covid-19.O biobanco
guarda desde março de 2020 amostras em congeladores a temperaturas entre
os 80 e 20 graus célsius negativos e vai permitir avaliar as coinfeções
no último ano com o SARS-CoV-2.“Vamos
tentar analisar se outros agentes patogénicos como baterias ou fungos
podem estar associados à infeção pelo novo coronavírus e se variam
sazonalmente”, esclareceu o investigador líder do grupo Microbiologia
Molecular do i3S.Paralelamente, os
investigadores vão avaliar se a infecciosidade e agressividade das
variantes do SARS-CoV-2 mudou ao longo do último ano.No
âmbito do projeto, que decorre até junho de 2023, o instituto da
Universidade do Porto adquiriu “robôs” para “automatizar” o diagnóstico à
covid-19 no laboratório com capacidade para analisar 350 amostras por
dia.“A compra dos robôs permite ter menos
pessoas no laboratório e um maior controlo sobre a qualidade do
processo. Normalmente, comunicamos os resultados em menos de 10 horas,
pelo que os robôs não vão aumentar significativamente o tempo, mas sim a
qualidade do processo de diagnóstico”, acrescentou.O
instituto pretende ainda fazer “algumas modificações ao protocolo” por
forma a poder, à semelhança de outros laboratórios, fazer o teste à
covid-19 através da saliva e detetar as variantes ao SARS-CoV-2.“Vamos ver se funciona, mas isso não vai ser imediato”, antecipou Didier Cabanes.O
i3S tem já “todo o procedimento implementado” para proceder ao
isolamento do vírus, bem como aos testes de infeção, cuja realização
requer que seja feita num laboratório de biossegurança nível 3.Este
laboratório vai permitir avançar com os testes experimentais da vacina
que está a ser produzida pela Immunothep, sendo que o objetivo do
instituto é “vacinar ratinhos e infetá-los com o vírus isolado [pelo
próprio instituto] para ver se estão protegidos”.