Investigadores querem transformar algas em bioplástico para fertilizar solos agrícolas
22 de dez. de 2024, 11:20
— Lusa
O projeto pretende
solucionar a acumulação de algas nas zonas costeiras através da
reutilização deste recurso marinho que maioritariamente tem como destino
os aterros, explicou à Lusa uma das investigadoras responsáveis
pelo AlgaBioTec.Segundo Raquel Vaz, a
equipa pretende também dar resposta à acumulação de plásticos não
degradáveis e ao seu uso "pouco controlado". "A
nossa ideia é tentar resolver estes dois problemas", assinalou a
investigadora, destacando que o projeto pretende transformar as algas
que se acumulam nas zonas costeiras em "recursos sustentáveis e valiosos
para a sociedade", sobretudo para a agricultura. O projeto, que arrancou em junho, pretende transformar estas "fontes de nutrientes" em fertilizantes de baixo custo. "Estamos
a criar um bioplástico com propriedades fertilizantes para cobrir o
solo e que se vai degradando ao longo do tempo", esclareceu Raquel Vaz,
da Universidade de Coimbra, mas que está a desenvolver parte do
doutoramento no Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e
Ambiental da Universidade do Porto (CIIMAR). Intitulado
AlgaBioTec, o projeto foi o vencedor da quarta edição do BluAct,
programa organizado pela Câmara de Matosinhos com o apoio da UPTEC –
Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto.O
prémio no valor de cinco mil euros, a participação gratuita na escola
de startups da UPTEC e a incubação, por um período de um ano, na UPTEC
Mar, permitirão à equipa otimizar o protótipo da solução já
desenvolvido.Um dos objetivos passa por
otimizar o tempo de degradação do bioplástico e as características deste
recurso marinho, "diminuindo o desperdício e melhorando a eficiência".À
Lusa, a investigadora avançou que a equipa está em conversações com o
município de Matosinhos, entidade responsável pela recolha destes
recursos marinhos, e com alguns agricultores para, futuramente, testar a
solução desenvolvida em campo.Além de
Raquel Vaz, a equipa do AlgaBioTec é composta pelas investigadoras
Isabel Cunha e Isabel Oliveira, do CIIMAR, e por um gestor.