Investigadores portugueses criam aplicação móvel que deteta sinais de Parkinson
22 de out. de 2017, 14:31
— AO/Lusa
Investigadores portugueses da Faculdade de Motricidade Humana
ajudaram a desenvolver uma aplicação para telemóvel que permite detetar
precocemente sinais de Parkinson.A aplicação para dispositivos
Android (telemóveis ou ‘tablets’) foi criada no âmbito de um projeto de
investigação europeu que envolve 11 organizações de seis países:
Portugal, Grécia, Bélgica, Alemanha, Suécia e Reino Unido. José
Alves Diniz, responsável pelo projeto em Portugal, explicou à agência
Lusa que o objetivo central da aplicação é “conseguir fazer uma deteção
precoce da doença de Parkinson”.“Até agora, desde que os
primeiros sinais aparecem até que se possa fazer um diagnóstico, pode
demorar 15 anos ou mais. Estamos a trabalhar para conseguir - e essa
aplicação é decisiva - realizar uma deteção mais precoce da doença e
passar a ser possível intervir mais cedo”, afirma à agência Lusa o
investigador.A aplicação recolhe dados durante a interação diária dos utilizadores, como quando falam, digitam texto ou enviam uma mensagem.“Do
ponto de vista da voz existe uma característica específica dos doentes
de Parkinson. A aplicação, do ponto de vista da análise da voz, deteta
se esse padrão está ou não presente”, explica José Alves Diniz.A
aplicação envia para uma base de dados apenas a informação relativa à
ausência ou presença desses sinais específicos. A conversação é
analisada em tempo real pela aplicação e só é enviada informação sobre a
deteção dos sinais, não sendo reproduzida qualquer conversa, assegura o
investigador da Faculdade de Motricidade Humana.“Não é de
maneira nenhuma um espião que envia tudo para uma base de dados. Capta a
informação, faz o tratamento da informação e envia dados que são
anónimos e só reproduzem o que são os sinais de presença ou ausência da
possibilidade de ter a doença de Parkinson”, frisa.A aplicação
faz ainda a análise da forma como se manuseia o dispositivo móvel ou
como usa o teclado, aproveitando os sensores dos aparelhos, o que pode
permitir detetar alguns tremores que são caraterísticos da doença.Caso
sejam detetados indícios ou sintomas, a pessoa é contactada para saber
se quer ser seguida pela equipa médica que integra o projeto, que é quem
pode ou não concretizar um diagnóstico.José Alves Diniz lembra
que as pessoas que queiram e aceitem usar a aplicação “estão a
contribuir para ampliar o acesso a dados para desenvolvimento da
ciência”.