Investigadores no Reino Unido admitem que antiviral Remdesivir seja eficaz
Covid-19
14 de dez. de 2020, 16:22
— Lusa/AO Online
Num caso analisado pelos
investigadores, o medicamento foi dado a um paciente com covid-19 que
tinha um problema imunológico anterior e os seus sintomas melhoraram,
acabando por se curar do vírus.Na resposta
à pandemia, faltam medicamentos antivirais eficazes contra o
SARS-CoV-2, o que levou a comunidade científica a depositar esperanças
no Remdesivir, concebido para tratar a hepatite C e usado eficazmente em
infeções pelo vírus ébola, mas os ensaios clínicos no âmbito da
resposta à covid-19 não foram conclusivos.No
entanto, uma equipa clínica da Unidade de Toxicologia de Cambridge fez
um novo estudo, justificando que "alguns realizados durante a primeira
vaga de infeções podem não ser ideais para avaliar as propriedades
antivirais" do Remdesivir, afirmou o investigador James Thaventiran."A
mortalidade deve-se a uma combinação de vários fatores, que incluem,
provavelmente, a replicação viral descontrolada e a resposta do sistema
imunitário. Um ensaio clínico que só analise o impacto do Remdesivir na
mortalidade terá dificuldade em distinguir estes dois fatores", indicou.Os
investigadores afirmam que é provável que o Remdesivir seja mais eficaz
quando tomado no início da infeção, antes de o vírus poder desencadear
uma resposta imunitária potencialmente catastrófica.Para
tirar conclusões, concentraram-se num paciente de 31 anos com XLA, uma
doença genética que afeta a capacidade de produzir anticorpos e combater
infeções.Depois de 30 dias com sintomas
como febre ou inflamação pulmonar, o paciente tomou Remdesivir durante
10 dias e melhorou na capacidade respiratória, febre, náuseas e vómitos
que sentia.Ao mesmo tempo, os médicos
verificaram que diminuíram progressivamente os níveis de proteína C
reativa, uma substância produzida pelo fígado em resposta à inflamação, e
um aumento do número das células imunitárias conhecidas como
linfócitos.Uma semana depois de ter alta,
os sintomas regressaram e o paciente voltou a tomar Remdesivir durante
10 dias, registando novamente melhoras.