Investigadores monitorizam viagem inédita de tartaruga-verde juvenil
7 de mar. de 2024, 17:33
— Lusa
A
pequena tartaruga-verde, com 38 cm, atravessou o Oceano Atlântico até à
costa continental portuguesa, percorrendo mais de 3.500 quilómetros em
210 dias. De nome Emília, o réptil marinho
foi marcado com um transmissor de dados por satélite em agosto de 2023
pela equipa do projeto de conservação Consolidating Sea Turtle
Conservation in the Azores (COSTA), encontrando-se agora a sul de
Portugal continental, segundo adiantou hoje o Instituto de Investigação
em Ciências do Mar Okeanos da Universidade açoriana na ilha do Faial.De
acordo com os investigadores, trata-se da "primeira vez que uma
tartaruga verde é seguida desde o arquipélago dos Açores até à costa
continental portuguesa”, sendo "um caso de estudo especial para a
ciência". O transmissor de dados colocado
na carapaça da tartaruga permite recolher informação sobre a posição
geográfica, o tempo passado à superfície, e a temperatura da água,
explica a Universidade dos Açores, num comunicado de imprensa.Segundo
o Instituto de Investigação em Ciências do Mar, "a tartaruga-verde
(Chelonia mydas), à semelhança de outras tartarugas marinhas, é um
réptil de longa vida" e percorre "extensas distâncias", entre a praia
onde nasce e a sua área de alimentação. Atualmente, a espécie é considerada ameaçada na lista vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN). "Depois
de libertada junto à costa açoriana, Emília deu início a uma longa
viagem, cruzando o Atlântico até à Galiza, descendo depois em direção a
Peniche, onde permaneceu 15 dias, na zona da Praia do Baleal,
continuando o seu rumo para sul", adiantou a Universidade dos Açores no
comunicado. Frederic Vandeperre,
investigador principal da equipa COSTA, explicou que “o avistamento de
tartarugas-verdes em território português é pouco comum, tratando-se de
animais com habitat tropical ou subtropical"."Sabe-se
ainda que as tartarugas-verdes tendem a explorar as zonas costeiras
durante a fase juvenil, onde se alimentam de algas e pequenos
invertebrados. No entanto, os seus padrões de migração no Oceano
Atlântico continuam a ser algo que desconhecemos”, adiantou o
investigador, citado na nota de imprensa.Mafalda
Sousa, investigadora da equipa COSTA, referiu que “esta é a primeira
vez que uma tartaruga verde é seguida desde o Arquipélago dos Açores até
à costa continental portuguesa”.Os
investigadores assinalam que a viagem da Emília "continua a ser um
mistério", podendo ou não rumar às águas mais quentes do Mediterrâneo
nos próximos dias. O seu percurso (e de
outras tartarugas marcadas pela equipa COSTA no âmbito do projeto LIFE
IP Azores Natura) pode ser acompanhado em tempo real através do link
https://costaproject.org/ocean-biometrics/life-ip/.