Investigadores identificam mecanismo relacionado com hipertensão e do cancro
1 de ago. de 2019, 14:24
— Lusa/AO Online
A investigação,
publicado na revista internacional Archives in Biochemistry and
Biophysics, foi realizada por investigadores do Instituto Nacional de
Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) e do Instituto de Biossistemas e
Ciências Integrativas da Faculdade de Ciências da Universidade de
Lisboa.Segundo os investigadores, o novo
mecanismo agora descoberto poderá constituir uma via alternativa de
intervenção terapêutica em doentes com hipertensão arterial e poderá
servir para travar o crescimento de células cancerígenasOs
rins regulam a quantidade de sais e água que o organismo deve reter, o
que se repercute na tensão arterial. Um excesso de consumo de sal pode
prejudicar esta regulação e contribuir para a hipertensão arterial, uma
doença que afeta já um terço da população adulta em Portugal e que
aumenta o risco de enfarte do miocárdio ou de acidente vascular
cerebral. Noutros tecidos, mecanismos
regulatórios semelhantes são responsáveis pela retenção de minerais,
pela viscosidade de muco protetor, pela atividade dos neurónios e,
também importante, pela manutenção do volume e da forma das células,
explicam os investigadores.A equipa de
investigação liderada por Peter Jordan, investigador do Departamento de
Genética Humana do INSA, identificou agora um novo mecanismo de as
células humanas regularem o seu transporte de sais, alterando a
quantidade de canais presentes na membrana que separa as células do meio
envolvente. "O curioso é que esta nova
forma não influencia a quantidade total de canais produzidos pela
célula, mas antes envolve uma modificação reversível nos canais já
existentes", explica Peter Jordan em comunicado. Segundo
o investigador, “a modificação consiste num grupo de fosfato inserido
numa região específica do canal e determina se o canal é ou não retido
na membrana celular, e logo se desempenha ou não a sua função de
transporte de sais".Para Peter Jordan, o conhecimento resultante deste estudo pode ter várias implicações clínicas futuras. "Por
exemplo, um dos canais regulados por este mecanismo, designado por
NKCC2, é o alvo dos fármacos diuréticos utilizados no tratamento da
hipertensão arterial", refere.O
investigador defende que "o novo mecanismo poderá constituir uma via
alternativa de intervenção terapêutica" em doentes com hipertensão
arterial, mas não só. "O novo mecanismo
poderá ainda servir para travar o crescimento de células cancerígenas,
que aumentam a quantidade produzida de canais de transporte de sais para
compensar a sua multiplicação acelerada", explica o investigador do
Instituto Ricardo Jorge.