Investigadores do Porto querem treinar algoritmos para aperfeiçoar diagnóstico do cancro
18 de out. de 2024, 10:53
— Lusa/AO Online
Em comunicado, o
instituto do Porto esclarece que o estudo, publicado na revista Medical
Image Analysis, explora a importância de usar os algoritmos para
"analisar o contexto do núcleo das células como forma de tornar os
diagnósticos mais eficazes". O núcleo das
células contém informações cruciais que ajudam no diagnóstico de
doenças, bem como na previsão da sua progressão e planeamento de
tratamentos adequados, especialmente em contextos como o cancro. A
análise destes núcleos já é feita visualmente por patologistas e
automaticamente através de algoritmos de processamento de imagens, mas a
investigação agora publicada "vem introduzir uma abordagem mais
profunda". A investigação, desenvolvida
pelo investigador João Nunes, do INESC TEC, em colaboração com a
investigadora do IMP Diagnostics, Diana Montezuma Felizardo, vem "dar
mais um passo na área da aprendizagem automática em áreas de aplicação
como a medicina". Citada no comunicado, a
investigadora Diana Montezuma, salienta que a análise dos núcleos das
células "é crucial, pois as alterações da sua forma, tamanho e estrutura
podem indicar a presença de doenças, nomeadamente cancro". Já
João Nunes esclarece que a investigação “aborda os diferentes
mecanismos de atenção e contexto para a deteção de núcleos celulares
como forma de colmatar as principais dificuldades da tarefa”. Uma das vantagens destes mecanismos passa pela capacidade de “suprimir informação ruidosa ou irrelevante”. Segundo
os investigadores, a segmentação manual destas imagens é “uma tarefa
trabalhosa e demorada”, sendo os algoritmos usados para “reduzir a carga
de trabalho dos patologistas e melhorar a extração de características
interpretáveis clinicamente”. “Os
algoritmos atuais enfrentam dificuldades em lidar com variabilidades nas
características morfológicas e cromáticas dos núcleos”, salienta o
instituto, acrescentando que os investigadores aperfeiçoaram os
algoritmos para garantir que prestam atenção ao que está ao redor e às
características importantes das células. “A
melhoria das técnicas, baseadas em ‘machine learning’, de deteção e
classificação dos núcleos poderá ter, assim, várias implicações
clínicas”, afirma a investigadora, salientando que o aspeto e a forma
dos núcleos de algumas células tumorais são usados para determinar o
grau de alguns tipos de cancro, como o da mama. “Uma
melhor segmentação dos núcleos permitirá caracterizar melhor as células
tumorais (e outras células do microambiente tumoral), contribuindo
assim para uma maior acuidade diagnóstica e prognóstica dos doentes”,
acrescenta.