Investigadores do Okeanos exploram fundos marinhos do Atlântico Equatorial

Hoje 10:33 — Ana Carvalho Melo

Três investigadores do Okeanos da Universidade dos Açores estão a explorar, a bordo do navio Falkor (too), fundos marinhos do Atlântico Equatorial nunca antes vistos e descobriram um jardim de esponjas a 4200 metros de profundidade.Telmo Morato, Inês Bruno e João Balsa integram a expedição internacional The Gap, liderada por investigadores brasileiros e que reúne cientistas de Portugal, Reino Unido e Itália, revelou a Okeanos em nota enviada à comunicação social. Com o veículo submarino ROV SuBastian, a equipa está a explorar a Fratura Romanche, um vale submarino com cerca de mil quilómetros de extensão, a profundidades de até 4500 metros.“Estamos a observar pela primeira vez fundos marinhos que nunca tinham sido vistos por olhos humanos, numa região que pertence a todos”, afirma Telmo Morato, citado em nota enviada à comunicação social, acrescentando:  “Encontrar um jardim de esponjas a mais de quatro mil metros de profundidade mostra o quanto ainda desconhecemos sobre o oceano profundo.”Nas paredes da fratura, entre os 1000 e os 1500 metros, a equipa encontrou jardins de corais de águas frias, como esperava. Mas a surpresa surgiu mais abaixo: um jardim de esponjas a cerca de 4200 metros, onde nada fazia prever um ecossistema deste tipo. Foram ainda registados vários organismos que poderão ser espécies novas para a ciência, mas só a análise das amostras em laboratório o poderá confirmar.A Fratura Romanche fica quase totalmente em águas internacionais. Por isso, os dados recolhidos são valiosos para o Tratado do Alto Mar das Nações Unidas, em vigor desde janeiro. “Com o Tratado do Alto Mar, a comunidade internacional comprometeu-se a proteger a biodiversidade do alto mar, mas não podemos proteger o que não conhecemos”, sublinha o investigador. E acrescenta: “Expedições como esta fornecem a base  científica para identificar ecossistemas vulneráveis e apoiar futuras decisões de conservação. A experiência que a nossa equipa tem vindo a acumular no estudo de espécies bentónicas e na análise de vídeo subaquático, nos Açores e noutras regiões do Atlântico, permite-nos dar um contributo especial para essa caracterização”.Telmo Morato lembra que a experiência acumulada pela equipa açoriana no estudo de espécies do fundo do mar e na análise de vídeo subaquático lhe permite dar “um contributo especial” para essa caracterização.Na segunda-feira, cerca de 50 alunos da Escola Secundária Manuel de Arriaga, na Horta, entraram em direto no Falkor (too), a milhares de quilómetros dos Açores. Na sessão, integrada na iniciativa educativa Ship to Shore, os alunos conheceram os objetivos da expedição, alguns dos organismos que habitam o mar profundo e as tecnologias que permitem lá chegar. O momento alto foi a apresentação do ROV SuBastian, seguida de uma visita virtual à sala de controlo, de onde são coordenados os mergulhos.“Um dos pilares do nosso trabalho é construir pontes entre a investigação científica e a sociedade, tornando o conhecimento sobre o oceano profundo mais acessível. Esta experiência é um exemplo concreto dessa aproximação, ao permitir aos alunos observarem de perto o trabalho desenvolvido pelos investigadores”, afirma Marisa Gomes, gestora de projeto e comunicação da equipa do Mar Profundo dos Açores.