Investigadores descobrem mutações ligadas à infertilidade masculina
9 de set. de 2021, 14:32
— Lusa/AO online
Segundo
os autores do trabalho, o conhecimento
destas mutações é “uma ferramenta importante para o estudo do casal
infértil e para o tratamento da infertilidade”, doença que afeta
aproximadamente “um quarto dos casais, sendo que 50% dos casos se devem a
causas masculinas”. “A
identificação de causas genéticas de infertilidade masculina poderá ser
um primeiro passo para que, no futuro, se possam desenvolver
tratamentos baseados em novas tecnologias, tais como a edição do genoma
humano, apesar de serem ainda necessários vários passos para garantir a
segurança e a eficácia destas novas tecnologias”, afirmam.Os
resultados indicam que “a presença de variantes patogénicas no gene
PNLDC1 está associada à ocorrência de infertilidade masculina,
nomeadamente em casos de azoospermia não obstrutiva”, explica a
investigadora Joana Marques, uma das autoras do artigo publicado no The
New England Journal of Medicine. Em
comunicado, a Faculdade de Medicina da Universidade do Porto esclarece
que “a equipa de cientistas sequenciou e analisou amostras de ADN e ARN
de homens com infertilidade, obtidas a partir de sangue e de biopsia do
tecido testicular, e identificou variantes patogénicas do PNLDC1
relacionadas com casos de azoospermia não obstrutiva (ausência total de
espermatozoides no sémen)”.“A
expressão do gene PNLDC1, bem como as proteínas associadas às moléculas
piRNA (PIWIL1, PIWIL4, MYBL1 e TDRKH), está muito diminuída nas células
testiculares destes doentes”, afirmam os autores.Segundo
os cientistas, “o gene PNLDC1 é crucial para o processamento de piRNA,
um tipo específico de RNA não codificantes que estão presentes nas
células germinativas e que são essenciais para o correto desenvolvimento
dos espermatozoides, como foi já demonstrado em modelos animais”. “Essas
variantes são a causa mais provável das falhas na espermatogénese num
subgrupo de doentes com infertilidade masculina grave”, referem. Este
trabalho envolveu vários investigadores da Faculdade de Medicina da
Universidade do Porto e do Instituto de investigação e Inovação em Saúde
da Universidade do Porto (i3S), nomeadamente Joana Marques, Alberto
Barros, Filipa Carvalho, Susana Fernandes, tendo sido realizado em
colaboração com Alexandra Lopes (i3S), Kristian Almstrup (Universidade
de Copenhaga) e Don Conrad (Universidade de Oregon), coordenadores do
estudo no âmbito do consórcio internacional GEMINI: Genetics of Male
Infertility Initiative.