Investigadores desaconselham ingestão de água nas lagoas do Pico
18 de ago. de 2025, 15:52
— Lusa/AO Online
“Não
é aconselhável beber diretamente aquela água”, advertiu César Andrade,
um dos autores de um estudo realizado às lagoas do Capitão e do Caiado,
agora revelado, e que permitiu quantificar a quantidade de emissões de
dióxido de carbono e de metano que ali são libertadas para a atmosfera.Para
este investigador do IVAR, embora estas lagoas sejam utilizadas para
abastecimento público à população, na ilha do Pico, a sua ingestão
diretamente das lagoas não é aconselhável porque as margens das lagoas
são utilizadas pela pecuária e porque a água deve ser previamente
tratada antes de servir para consumo humano.“A
população é abastecida daquelas lagoas, sim, mas a água atravessa um
processo de tratamento microbiológico e químico até chegar à torneira
das casas, e só aí é que é aconselhável para consumo”, esclareceu César
Andrade, adiantando que a libertação de gases verificada nas lagoas,
“não constitui qualquer risco” para a saúde das pessoas, nem dos
animais.As medições realizadas pelos
investigadores da Universidade dos Açores ao longo de várias campanhas e
em diferentes estações do ano indicam que, apesar destes lagos terem
origem vulcânica, as emissões de gases com efeito de estudo, como o
dióxido de carbono (CO2) e o metano (CH4), têm origem biológica.“Foi
a primeira vez que se conseguiu determinar a libertação de metano em
lagos, aqui nos Açores. O dióxido de carbono (CO2) é o gás dominante,
com fluxos duas a três ordens de grandeza superiores ao metano (CH4),
mas ainda assim importa referir que o metano merece especial atenção
porque tem um potencial de aquecimento global 27 vezes maior do que o
CO2”, esclareceu César Andrade.O estudo
realizado pela Universidade dos Açores, pretendia também perceber o
impacto que este tipo de massas de águas, como é o caso das lagoas -
comuns em várias ilhas açorianas -, podem ter nas alterações climáticas.“Estes
resultados ajudam a perceber o papel dos lagos dos Açores no ciclo do
carbono, e nas possíveis alterações climáticas que estão a ocorrer, como
também mostram o estado ecológico dessas massas de água e como podem
influenciar, fortemente, a libertação de gases com efeitos de estufa”,
indicou o investigador açoriano.