Investigadora portuguesa torna-se embaixadora do combate às alterações climáticas
17 de set. de 2019, 15:53
— Lusa/AO online
"É
uma responsabilidade. Vou tentar dar o meu melhor para desempenhar bem
esse papel. Sempre que puder vou falar sobre a importância de mitigarmos
as alterações climáticas e caminharmos todos juntos nesse sentido",
disse hoje à agência Lusa, a jovem bióloga de 24 anos, natural de Viana
do Castelo. Em comunicado,
a Ocean Alive, primeira cooperativa em Portugal dedicada à proteção do
oceano, revelou que o vídeo realizado por Raquel Gaião venceu o concurso
"The Global Youth Video Competition", organizado no âmbito da Cimeira
do Clima da ONU. O vídeo da bióloga
portuguesa, que, em 2018, foi a primeira portuguesa a ganhar o prémio
mundial Global Biodiversity Information Facility Young Researchers
Award, com um trabalho sobre o impacto das alterações climáticas na
distribuição de macroalgas na costa Atlântica da Península Ibérica, "foi
selecionado entre 400 candidatos de todo o mundo e obteve já mais de 60
mil visualizações do público". O trabalho
da investigadora de Viana do Castelo será exibido na Cimeira do Clima,
em 23 de setembro em Nova Iorque, e na Conferência das Partes (COP25) em
dezembro, no Chile, onde Raquel Gaião Silva marcará presença."Sinto-me
muito orgulhosa pelo projeto que temos em Portugal, da Ocean Alive.
Orgulhosa porque os portugueses ajudaram a partilhar e a divulgar o
trabalho da Ocean Alive. Não estava à espera de ver tanta gente a
partilhar o vídeo e termos mais visualizações, sendo um país pequenino, a
competir com países como a India ou o México. É um sentimento de
orgulho nos portugueses e no nosso exemplo", sublinhou.Raquel
Gaião estudou biologia na Faculdade de Ciências. Em 2018 concluiu o
mestrado internacional. Trabalha há um ano na Bluebio Alliance (BBA) uma
associação portuguesa sem fins lucrativos, fundada em 2015, que
representa todos os participantes dos biorrecursos marinhos e da cadeia
de valor biotecnológica azul."Tudo que
faço é com muita paixão. Tento dar o meu melhor o que não significa que
não haja outras pessoas a fazerem um trabalho fantástico. Eu arrisco e
concorro, nunca a pensar que vou ganhar, mas para me desafiar a mim
própria", observou.Além de se ter
transformado em embaixadora da juventude para o combate às alterações
climáticas, a jovem bióloga irá ser repórter da juventude na COP25, onde
apresentará o projeto que inspirou o vídeo que documenta o trabalho da
Ocean Alive como "um exemplo da categoria do concurso da ONU Cidades e
ação local no combate às alterações climáticas". "O
trabalho da Ocean Alive conseguiu sensibilizar as pescadoras da
Carrasqueira, no estuário do rio Sado, para a importância de conservar
as pradarias marinhas que são o sustento da sua pesca", destacou Raquel
Gaião.Segundo a investigadora, o trabalho
desenvolvido pela cooperativa portuguesa "conseguiu que as guardiãs do
mar se tornassem agentes de mudança, influenciando outros pescadores, a
utilizarem técnicas menos destrutivas e não poluir tanto as águas do
mar".As "pradarias marinhas, desconhecidas
do grande público, são constituídas por plantas aquáticas que formam
uma floresta marinha que sequestram carbono a uma taxa 30 vezes superior
ao das florestas terrestres". "São estas
pradarias que tornam o estuário do Sado único em Portugal, pois como
florestas que são, oferecem alimento, abrigo e local de reprodução para
muitos organismos marinhos, como os cavalos-marinhos, raias e para as
presas dos golfinhos que residem neste estuário. Se estas pradarias
marinhas forem destruídas, o carbono por elas armazenado será libertado e
uma grande biodiversidade marinha será perdida", explica a nota da
Ocean Alive.A Ocean Alive "chama a atenção
para o risco iminente de degradação das pradarias do estuário do Sado
como consequência das extensas dragagens previstas, como parte da obra
de melhoria dos acessos ao porto de Setúbal". "Não
valerá a pena sermos um exemplo distinguido se as pradarias marinhas do
estuário do Sado desaparecerem. Por isso, somos uma das organizações
promotoras da manifestação contra as dragagens marcada para o dia 28 de
setembro, em Setúbal", adianta a instituição. A
Ocean Alive apela para a "tomada de consciência por parte do governo
português para a necessidade de mudar o paradigma da criação de riqueza e
empregos, mantendo os benefícios do estuário do Sado como um sistema
natural que garanta qualidade de vida e um futuro sustentável, alinhados
com os compromissos assumidos pelo nosso país na ONU".