Investigador defende estratégia de longo prazo para consolidar crescimento da ciência nos Açores
Hoje 16:13
— Lusa/AO Online
Sérgio Ávila falava à agência Lusa à margem da 9.ª edição do Spring Seminar 2026, encontro anual dos investigadores do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos – Açores (CIBIO-Açores), na Universidade dos Açores, em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel.O investigador principal do CIBIO/Açores da Universidade dos Açores apresentou no encontro uma comunicação sobre o estado da ciência na região, sustentada em dados recolhidos junto de várias entidades que existem no arquipélago na área da ciência.Segundo explicou, os indicadores confirmam uma evolução positiva da ciência açoriana, nos últimos cinco anos, acompanhando a tendência nacional, destacando-se o aumento da produção científica e da qualidade das publicações.“Existe nos últimos cinco anos um incremento objetivo do número de publicações, da qualidade das publicações e estes dois fatores revertem e transparecem num aumento efetivo do número de citações que estes autores têm em bases de dados internacionais”, afirmou, acrescentando que a investigação desenvolvida no arquipélago “não é regional nem nacional, mas de âmbito internacional”.“Há áreas de investigação, nomeadamente na saúde, na componente do mar, mas também no que diz respeito à economia, em que se verifica uma elevada taxa de artigos científicos que viram, nos últimos cinco anos, um aumento" de publicações, assinalou.Sérgio Ávila destacou também áreas onde os Açores assumem posições de liderança científica, nomeadamente no estudo do mar profundo, das fontes hidrotermais, da biodiversidade terrestre e marinha, da paleontologia e dos ecossistemas insulares.“No que diz respeito ao Atlântico somos investigadores de ponta dentro destas áreas de investigação”, sublinhou o investigador especializado em Biologia Marinha, Paleontologia e Biogeografia.A localização geográfica do arquipélago continua, segundo Sérgio Ávila, a atrair estudos de referência internacional, transformando os Açores num “laboratório natural de excelência para a Europa”.Apesar da evolução positiva, o responsável alertou para desafios que a ciência enfrenta no arquipélago e apontou a necessidade de haver “maior previsibilidade” nos apoios à investigação, através de contratos-programa com duração de quatro anos ou mais.“O ideal seria que fosse para além de uma legislatura, com verbas de funcionamento indexadas à qualidade dos centros de investigação e à produtividade dos investigadores”, defendeu Sérgio Ávila.Sérgio Ávila sublinhou ainda a importância de “uma visão estratégica” científica “bem fundamentada” a médio e longo prazo, “e com previsibilidade nos apoios científicos”, alertando que “não podem ser opções pontuais” e que é necessário “falar com quem realmente faz ciência”.“O que falta, e é uma necessidade que sentimos, é um apoio mais efetivo por parte do Governo Regional, com uma estratégia mais clara e escolhas que necessitam de ser balizadas por opções de médico, longo prazo”, acrescentou o investigador autor de vários trabalhos de investigação.Sérgio Ávila considerou também fundamental reforçar a internacionalização da investigação científica açoriana, defendendo o regresso de medidas de apoio a expedições científicas para fora da região, cuja “taxa de retorno é extremamente elevada”.O investigador destacou igualmente o impacto crescente do setor empresarial ligado à ciência e tecnologia nos Açores, apontando os parques de ciência e tecnologia NONAGON, em São Miguel, e TERINOV, na Terceira, e defendeu a criação de um contrato-programa entre a Universidade açoriana e a RTP/Açores para produção de conteúdos dedicados à ciência.A televisão, disse, continua a ser “o meio mais efetivo” para aproximar a ciência da população e demonstrar o impacto económico da investigação desenvolvida nos Açores.As conclusões do debate sobre o estado da ciência nos Açores serão entregues à reitoria da Universidade dos Açores e ao Governo Regional, acompanhadas de propostas para implementar a curto, médio e longo prazo, adiantou ainda.