Investigação de ataque com arco e flecha na Noruega privilegia tese de doença
15 de out. de 2021, 16:32
— Lusa/AO Online
“A
hipótese que foi mais reforçada após os primeiros dias da investigação é
a de doença em pano de fundo”, declarou o inspetor Per Thomas Omholt em
conferência de imprensa, dois dias após o ataque que fez igualmente
três feridos.“Mas deixamos a porta aberta a outras hipóteses”, acrescentou.Entre
as hipóteses inicialmente consideradas pela polícia, estavam “a ira, a
vingança, uma pulsão, a ‘jihad’, a doença e a provocação”, enumerou o
inspetor.Estas declarações confirmam as
dúvidas que rodeiam a saúde mental - e, logo, a responsabilidade
criminal – de Espen Andersen Brathen, que admitiu ter matado cinco
pessoas e ferido mais três na quarta-feira, em Kongsberg, no sudeste do
país, onde reside.Suspeito de
radicalização islâmica, o cidadão dinamarquês de 37 anos foi hoje
colocado em prisão preventiva por um período de quatro semanas, as duas
primeiras das quais em isolamento total.Mas,
em vez de numa prisão, Brathen será mantido numa instituição
medicalizada, precisou a procuradora do ministério público norueguês Ann
Iren Svane Mathiassen.Brathen foi
transferido na quinta-feira à noite para um estabelecimento
psiquiátrico, na sequência “de uma avaliação do seu estado de saúde”,
explicou Svane Mathiassen.Está agora a ser
alvo de uma avaliação psiquiátrica por especialistas para determinar se
pode ser considerado criminalmente responsável pelo seu ato. As
conclusões deverão demorar alguns meses.Apesar
de os ataques terem a aparência de “um ato terrorista”, segundo as
autoridades, estas inclinam-se mais para a hipótese de insanidade.“Não
há qualquer dúvida de que o ato em si faz pensar, pela sua aparência,
que pode tratar-se de um ato terrorista, mas importa agora que a
investigação avance e que esclareçamos as motivações do suspeito”,
declarou o chefe dos serviços de segurança PST, Hans Sverre Sjøvold, na
quinta-feira.“É uma pessoa que entrou e saiu do sistema de saúde durante algum tempo”, sublinhou, sem fornecer mais pormenores.Sinalizado
no passado por radicalização, Brathen, convertido ao islão há alguns
anos, admitiu durante os interrogatórios ter cometido o ataque.Estava
munido de um arco e de flechas, bem como de mais duas armas. Os
investigadores continuam a escusar-se a revelar que tipo de armas.O
suspeito “é conhecido” dos serviços de segurança PST, que estão
encarregados do combate ao terrorismo na Noruega, mas poucos pormenores
foram fornecidos.A polícia refere “receios
relacionados com uma radicalização” que remontavam a 2020 e que,
assegurou, deram lugar a uma vigilância.Segundo
a imprensa norueguesa, Brathen tinha já sido alvo de duas decisões
judiciais: uma proibição, no ano passado, de visitar os pais, depois de
ter ameaçado matar o pai, e uma condenação por assalto e compra de
haxixe, em 2012.Foi igualmente revelado um vídeo dele, datado de 2017, em que profere uma oração em tom ameaçador. Brathen,
que muito provavelmente agiu sozinho, de acordo com a polícia, matou
quatro mulheres e um homem, com idades entre 50 e 70 anos, em vários
locais de Kongsberg, pequena cidade com cerca de 25.000 habitantes,
situada cerca de 80 quilómetros a oeste de Oslo.O
novo primeiro-ministro norueguês, Jonas Gahr Støre, é esperado hoje na
cidade ainda em choque. Flores e velas foram depositadas nos diversos
locais do crime.Vários projetos de
atentados islamitas foram até hoje desmantelados na Noruega, mas o país
foi enlutado por dois ataques da extrema-direita perpetrados na última
década, um dos quais cometido por Anders Behring Breivik a 22 de julho
de 2011, que fez 77 mortos.