Invasão da Ucrânia interfere nos planos eleitorais de Emmanuel Macron
2 de mar. de 2022, 17:48
— Lusa/AO Online
No
dia 04 de março, o Conselho Constitucional francês vai declarar todos
os candidatos às eleições que presidenciais francesas que decorrem já no
dia 10 de abril. Para ser considerado candidato é preciso depositar
neste órgão 500 assinaturas de eleitos locais e nacionais que apadrinham
a candidatura do futuro Presidente.Há
muito que Emmanuel Macron reuniu este número mínimo de assinaturas, mas
devido à acumulação de funções nos últimos meses, estando a França à
frente do Conselho da União Europeia até junho, o Presidente ainda não
declarou a sua recandidatura e parece pouco provável que o faça de uma
forma impressionante como é tradição nos meandros da política francesa.O
Presidente vai falar aos franceses sobre a situação na Ucrânia,
mas é pouco provável que aborde o tema das eleições presidenciais. O
chefe de Estado francês tem-se desdobrado em chamadas telefónicas com os
seus homólogos, sendo um dos únicos líderes mundiais ainda em contacto
com Vladimir Putin.Emmanuel
Macron chegou a ter marcado um comício eleitoral para Marselha no
próximo sábado, onde contava com a presença de milhares pessoas, mas o
encontro foi anulado devido ao contexto atual. Assim, prevê-se um breve
anúncio sóbrio nos próximos dias.No
terreno, o partido do Presidente, República em Marcha, está a trabalhar
há meses em comités municipais e regionais para mobilizar os eleitores
para esta eleição. Apoiando-se na experiência de 2017, mas também na
ideia do Grande Debate lançado por Emmanuel Macron perante a crise dos
'coletes amarelos', o República em Marcha tem vindo a recolher propostas
dos cidadãos, identificando as principais fontes de preocupação dos
franceses.Mesmo
antes da invasão da Rússia, as equipas de Emmanuel Macron já tinham
avisado que a presença do candidato na campanha eleitoral não seria
assídua, com o próprio Presidente a dizer que exerceria funções "até ao
último quarto de hora" do seu mandato.Os
restantes candidatos que já apresentaram as 500 candidaturas e se
qualificam para concorrer às eleições presidenciais reuniram-se no
início da semana com Jean Castex, primeiro-ministro, e têm sido
informados da evolução do conflito na Ucrânia.