Intervenções emergentes têm o valor de 3,7 milhões de euros
Incêndios
15 de set. de 2025, 11:45
— Lusa/AO Online
Numa
informação enviada à agência Lusa, o ministério de Maria da Graça
Carvalho explicou que “as intervenções a realizar na sequência destes
incêndios dividem-se em duas tipologias”, as emergentes e críticas,
cujos trabalhos estão em grande parte concluídos, e as urgentes. As
emergentes e críticas, que envolvem trabalhos de retenção de cinzas,
limpeza e desobstrução de linhas de água e retenção de solos, levadas a
cabo pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), Instituto da Conservação
da Natureza e das Florestas (ICNF) e municípios, “têm um valor de 3,7
milhões de euros”.A assinatura dos respetivos protocolos com os municípios está prevista para o próximo dia 26, em Sátão, distrito de Viseu.“Para
as urgentes, mas não emergentes, cujo trabalho de identificação e
levantamento foi feito em conjunto com os municípios afetados, e que
envolvem, por exemplo, a reconstrução de infraestruturas e trabalhos de
médio prazo, há uma dotação de 15 milhões de euros”, especificou a
tutela.O ministério realçou que as
intervenções em áreas protegidas, Rede Natura 2000 e territórios de
elevado valor natural, assim como áreas imediatamente adjacentes,
tiveram início de uma “forma excecionalmente rápida”, devido ao diploma
que estabelece medidas de apoio e mitigação do impacto de incêndios
rurais (publicado em 24 de agosto, mas com efeitos desde 01 de julho) e à
portaria para as regulamentar (29 de agosto).A
tutela salientou que aqueles documentos permitiram acelerar os
procedimentos administrativos, levando a APA e o ICNF a iniciar os
trabalhos muito urgentes, referindo, a este propósito, a conclusão de
trabalhos de proteção e controlo da água nas albufeiras de Vilar,
Ferradosa e Vilarinho das Furnas, e nos sistemas de abastecimento de
Pomares, Vila Cova do Alva e Alagoa (Arganil).“Dentro
dessas intervenções prioritárias estiveram todos os trabalhos para
proteger e controlar as linhas de água da contaminação de cinzas e,
dessa forma, garantir a qualidade e segurança da água para consumo
público”, referiu o ministério em comunicado.De
acordo com o comunicado, foram construídas barreiras de retenção de
sedimentos nas linhas de água, além da “monitorização em contínuo da
qualidade da água nas captações”, assim como “a limpeza e desobstrução
dos troços afetados, restaurando o fluxo natural das águas, e a
intervenção prioritária em linhas de água a montante das albufeiras nas
zonas afetadas pelos incêndios”.Segundo a
portaria, as medidas de estabilização de emergência a incluir nos
contratos-programa podem abranger o “corte e remoção de material vegetal
arbóreo e arbustivo ardido, quando for evidente que não tem
possibilidades de recuperação”, o “controlo de espécies invasoras
lenhosas”, a “recuperação e tratamento de rede viária”, ou “entrançados
de resíduos florestais em curvas de nível”.As
medidas de âmbito mais estrutural e de médio prazo podem prolongar-se
até três anos após os incêndios, e são orientadas para a reabilitação e
para o restauro ecológico, podendo abranger a “proteção das bacias
hidrográficas”, a “recuperação de linhas de água”, a “conservação do
solo”, ou a “recuperação da fauna e flora”.Portugal continental foi afetado este verão por múltiplos incêndios rurais de grande dimensão nas regiões Norte e Centro.Os
fogos provocaram quatro mortos, entre eles um bombeiro, e vários
feridos, e destruíram total ou parcialmente casas de primeira e segunda
habitação, bem como explorações agrícolas e pecuárias e área florestal.O
ano de 2025 é o terceiro pior de sempre em termos de área ardida até 31
de agosto, com 254 mil hectares, indica o Sistema de Gestão Integrada
de Fogos Rurais.