Internet é veículo de tráfico de drogas, mas também de prevenção e tratamento
5 de mar. de 2024, 16:26
— Lusa
Em comunicado, a entidade
elencou como “principais desafios na era da Internet” a maior
disponibilidade de drogas ilícitas, a exploração de plataformas ‘online’
por grupos criminosos, incluindo redes sociais, e o risco acrescido de
mortes por ‘overdose’ (sobredosagem) devido sobretudo à venda de
fentanil e outros opiáceos sintéticos.“Podemos
perceber que o tráfico de drogas não é realizado apenas na ‘dark web’
(redes encriptadas). As plataformas legítimas de comércio eletrónico
também estão a ser exploradas por criminosos”, segundo Jallal Toufiq,
presidente do INCB. O responsável argumentou ainda sobre a necessidade
de os governos trabalharem com o setor privado.De
acordo com o relatório, o uso de redes sociais permite chegar a
“grandes audiências globais”, assim como “conteúdos inadequados são
amplamente acessíveis a crianças e adolescentes”.É
destacado o risco de segurança para os consumidores devido a “farmácias
ilícitas na internet que vendem medicamentos sem receita médica”, uma
vez que “é impossível” detetar falsificações, produtos não aprovados ou
ilegais. “O comércio global de produtos farmacêuticos ilícitos é estimado em 4,4 mil milhões de dólares”, segundo a mesma fonte.Porém,
o presidente do INCB também notou como as plataformas ‘online’ podem
ajudar a “prevenir o consumo de drogas, aumentar a consciencialização
sobre os seus danos e melhorar o acesso aos serviços de tratamento da
toxicodependência”.Devem ser também
envolvidos nesse esforço a telemedicina e as farmácias na internet, tal
como a cooperação internacional. O INCB incentiva a "cooperação
voluntária entre governos e indústrias ‘online’ para combater a
utilização indevida de plataformas legítimas de comércio eletrónico para
o tráfico de drogas”. O ICNB afirmou a
existência de “disparidades persistentes no acesso a medicamentos para o
tratamento da dor”, exemplificando, neste âmbito, com a falta de
morfina em muitos locais.“Estas
persistentes disparidades regionais nos analgésicos opiáceos utilizados
no tratamento da dor não se devem à escassez de matérias-primas
opiáceas, mas sim, em parte, a estimativas imprecisas das reais
necessidades médicas das suas populações”, concluiu-se.O
relatório indicou também a necessidade de oferecer “meios de
subsistência alternativos” a agricultores afegãos face à diminuição
drástica do cultivo ilícito de papoila do ópio e da produção de heroína e
informou sobre a expansão das organizações de tráfico de droga na Bacia
Amazónica para a “mineração ilegal, exploração madeireira ilegal e
tráfico de vida selvagem”.Na análise
regional, o relatório enumerou níveis recordes de cultivo ilícito de
coca foram registados na Colômbia e no Peru, aumentando 13% e 18%,
respetivamente, e que apreensões de cocaína atingiram um recorde em 2021
na África Ocidental e Central.“Vários
países europeus continuaram a estabelecer mercados regulamentados de
cannabis para fins não médicos. Estes programas não parecem ser
consistentes com as convenções de controlo de drogas”, lê-se na
informação hoje publicada, que acrescenta como o sul da Ásia “parece ser
cada vez mais alvo do tráfico de metanfetaminas fabricadas ilicitamente
no Afeganistão para a Europa e a Oceânia”.“Os
Estados insulares do Pacífico deixaram de ser apenas locais de trânsito
ao longo das rotas do tráfico de drogas para se tornarem mercados de
destino de drogas sintéticas”, segundo a mesma fonte, que recomenda
ainda 16 precursores estimulantes do tipo anfetamina e dois precursores
de fentanil sejam colocados sob controlo internacional.A Comissão sobre Estupefacientes votará este mês a nova colocação.