Intenção de reprivatizar a companhia “já foi sinalizada ao mercado”
TAP
14 de dez. de 2022, 14:11
— Lusa/AO Online
“Há
uma intenção por parte do Governo em abrir capital da empresa e essa
intenção já foi sinalizada ao mercado”, disse o ministro das
Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, em audição na
Assembleia da República, em resposta a questões do deputado da
Iniciativa Liberal, Carlos Guimarães Pinto.Antes,
o deputado tinha perguntado ao ministro se estavam a decorrer conversas
com potenciais compradores da TAP, tendo Pedro Nuno Santos respondido
que “da parte do Governo, não”.Carlos
Guimarães Pinto perguntou ainda se o futuro comprador da TAP beneficiará
de uma norma fiscal aprovada para 2023, que permite deduzir no futuro
“perto de 4.000 milhões de euros de prejuízos passados”, o que, segundo o
deputado, permitirá ao comprador pagar “muito pouco de IRC nos próximos
30 anos”.“Essa foi uma norma que foi
votada no parlamento, não sei se a IL é contra, imagino que seja a
favor, ela aplica-se a todas as empresas”, respondeu o ministro.Já
sobre os conflitos laborais na empresa, cujos tripulantes fizeram
recentemente uma greve de dois dias, que levou ao cancelamento de 360
voos, o ministro das Infraestruturas adiantou que “já há reuniões
marcadas entre os sindicatos e a administração” para que continuem as
negociações, lembrando, no entanto, que há acordos de emergência
assinados, no âmbito do plano de reestruturação, “que têm de ser
cumpridos”.Relativamente ao fim do
contrato com a White Airways e recurso a contratos de prestação de
serviços ACMI (sigla inglesa para Avião, Tripulação, Manutenção e
Seguro) com empresas estrangeiras, Pedro Nuno Santos afirmou que aquele
“contrato terminou porque a TAP entendeu que ele não era bom para a
empresa e encontrou uma solução melhor”.“Temos
de ter alguma confiança e não estar, sistematicamente, a dar tiros a
uma administração que esta a fazer um trabalho muito difícil para salvar
uma companhia aérea que estava no chão”, defendeu o governante,
lembrando que os resultados operacionais subiram 214% nos primeiros nove
meses do ano, face ao mesmo período de 2019.Explicando
que os 3.200 milhões de euros injetados na TAP não foram um empréstimo
e, nesse sentido, não têm de ser devolvidos, Pedro Nuno Santos vincou
que a companhia aérea “devolve ao Estado português de várias maneiras”,
nomeadamente com distribuição de dividendos, a partir do momento que
comece a dar lucro.“Eu cá ponho as minhas
fichas que a TAP consegue ter resultado líquido em exercício antes de
2025”, apostou o ministro, antecipando, assim, a meta estabelecida no
plano de reestruturação aprovado pela Comissão Europeia.Por
fim, relativamente à contratação de Isabel Nicolau para diretora de
melhoria contínua e sustentabilidade da companhia aérea, com uma relação
pessoal próxima da presidente executiva, Christine OUrmières-Widener,
Pedro Nuno Santos disse não saber "quem é Isabel Nicolau" e perguntou ao
deputado da IL se "quer que o ministro interfira na gestão corrente" da
empresa.