Inteligência Artificial nas empresas começa com pessoas
Hoje 11:44
— Ana Carvalho Melo
A Inteligência Artificial (IA) pode funcionar como um “acelerador”, que automatiza tarefas rotineiras e liberta tempo para que as pessoas possam acrescentar maior valor às suas funções. Esta é a convicção de João Gonzaga e Duarte Rego, sócios da CORE – Business Marketing People, consultora que apostou na formação das equipas para que as empresas da região aproveitem a tecnologia.“O que a IA faz é acelerar os processos. Em vez de demorar duas horas a fazer uma tarefa, consigo chegar a uma primeira versão em 15 ou 30 minutos e ainda tenho hora e meia para a aperfeiçoar e ir mais longe”, explica João Gonzaga, em entrevista ao Açoriano Oriental.Esse tempo, defende, pode e deve ser dedicado ao que antes ficava para trás: melhorar as entregas, pensar de forma crítica e avançar com projetos estratégicos onde anteriormente não havia tempo para chegar.A CORE nasceu em 2017 para apoiar PMEs açorianas em gestão e marketing e, desde 2024, tem escritório na incubadora Startup PDL com uma aposta forte na inteligência artificial aplicada aos negócios. A missão, diz João Gonzaga, é a mesma desde o início: “devolver à ilha aquilo que a ilha nos dá” e ajudar as empresas açorianas a crescerem “de dentro para fora”.Em termos de oferta, a CORE parte de uma ideia simples: antes de propor soluções, é preciso descobrir os problemas. “Temos de conhecer os problemas das empresas, quais são as dores que elas têm e quais dessas dores podem ter uma solução com IA”, explica João Gonzaga. Por isso, o primeiro passo é um diagnóstico. Qualquer pessoa pode fazer um gratuito no site da CORE, com resultado imediato. Para quem precisa de ir mais fundo, a equipa vai à empresa e entrevista os colaboradores por departamento num diagnóstico mais profundo. No fim, entrega à gestão um relatório que mostra “quais são as ineficiências atuais, quanto é que elas custam” e, sobretudo, como resolvê-las “de uma forma faseada e realista”.Foi nestes diagnósticos que os dois sócios perceberam onde estava o verdadeiro obstáculo. “Mais do que desenvolver grandes soluções tecnológicas, o verdadeiro entrave está nas pessoas, na adoção, nas equipas”, afirma João Gonzaga. Com um mercado regional ainda reticente quanto às mais-valias da IA e com a especificidade de cada empresa a impedir nesta fase desenvolvimentos de ferramentas com IA robustas e fiáveis, a formação surgiu como resposta natural e a CORE prevê fechar 2026 com mais de 20 workshops e mais de 200 pessoas formadas, entre os que organiza e os que dá dentro das empresas que a contratam. O público é variado: há participantes dos 20 aos 80 anos, de administradores a operacionais.Todos os meses a CORE oferece um Workshop “IA para Pessoas Ocupadas” aberto ao público mas, para chegar a mais empresas açorianas, estabeleceu também uma parceria com a Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada, e as primeiras formações já estão marcadas. A abordagem é de proximidade. “Dizemos muitas vezes que vestimos a camisola dos nossos clientes e tentamos fazê-lo quase de forma literal”, diz João Gonzaga. Como exemplo, refere que, na manhã da entrevista, ele e Duarte Rego passaram quatro horas com dois departamentos de uma empresa local, sentados ao lado dos colaboradores, a usar as plataformas de Inteligência Artificial para resolver problemas concretos das suas funções. “Eles estão a sentir o benefício que nós também sentimos”, libertando tempo de tarefas repetitivas e investindo em criar mais valor.Este ano, a consultora já colaborou com empresas como Grupo ACCymbron, Grupo Bensaude, Agência Melo, Accional, Higiaçores, Century 21, Agriloja ou SEGMA, entre outras.