Inteligência artificial "é um benefício" e interação será "gradual"
17 de out. de 2017, 14:49
— Lusa/AO online
Manuela Veloso, que é investigadora de
topo na área da inteligência artificial e cofundadora da RoboCup,
participa hoje na 2.ª edição do Business Transformation Summit, no
Centro de Congressos do Lagoas Park, em Oeiras (Lisboa), onde aborda o
tema "Human IA Interaction - Como a interação com a inteligência
artificial vai impactar o futuro". "Acho que a inteligência
artificial é um benefício", pois "cada vez mais os computadores têm
acesso a dados que as pessoas criam na Internet, permitindo o
processamento de dados e ser um suporte à decisão humana", afirmou a
investigadora portuguesa. A inteligência artificial "já existe" e
para isso basta ver a forma como as pessoas funcionam, sem se
aperceberem disso, disse, dando o exemplo de como hoje as pessoas
prescindem dos mapas físicos para utilizar o GPS ou o Google Maps, por
exemplo, para se deslocarem. Manuela Veloso desvalorizou os
receios que existem sobre o impacto da inteligência artificial:
"Acredito muito mais na capacidade humana, das pessoas se adaptarem e
usarem a tecnologia para o bem da sociedade". Para a
investigadora, vai ser "um processo gradual, as pessoas vão habituar-se a
usar esta ferramenta fantástica que lhes permitirá tomar decisões".
Trata-se de "uma aprendizagem da coexistência entre os humanos e as
máquinas", prosseguiu, recordando que "toda a tecnologia requer mudança
de hábitos", só que no caso da inteligência artificial "é mais a nível
cognitivo". A investigadora dá o exemplo da eletricidade, cujo
surgimento não serviu apenas para "acender a lâmpada da sala", mas abriu
uma série de potencialidades até aos dias de hoje, onde os automóveis
elétricos passaram a ter lugar. "Esta é a quarta revolução
industrial", sublinhou, salientando que as máquinas "têm imensa
capacidade de fazer muitas inferências inteligentes" de padrões com base
nos dados disponíveis. "São uma ferramenta potente em si, mas não têm intenção", acrescentou.
Manuela Veloso trabalha na área dos robôs móveis que circulam dentro de
edifícios e têm a capacidade de transportar objetos, guiar pessoas.
"Trata-se de mobilidade dentro dos edifícios", o que é mais complexo já
que não há GPS e os robôs têm de 'reconhecer' as paredes, onde estão,
pelo que é necessário criar mapas dos sítios onde estão, através das
plantas dos edifícios. "Estes robôs não fazem apenas
processamento de informação digital [como acontece com aplicações na
Internet], mas também têm informação sobre o espaço físico", permitindo a
sua navegação. "Esta é uma inteligência artificial móvel", disse.
Questionada sobre se os robôs com inteligência artificial não poderão
substituir trabalhadores em determinadas tarefas, a investigadora
considerou que "eventualmente substituirão". No entanto, "também se espera que as pessoas fiquem mais interessadas noutros trabalhos" ou criem outras áreas de atividade.
Manuela Veloso apontou o potencial de um robô que saiba de medicina e
trabalhe em cooperação com um médico: num caso complexo, a máquina terá a
capacidade de procurar no mundo todos os casos semelhantes e
apresentá-los ao clínico num curto espaço de tempo, servindo de apoio.