Integração do Carnaval da Terceira no património nacional em consulta pública este mês
7 de fev. de 2020, 14:52
— Lusa/AO Online
“A presente consulta
pública terá a duração de 30 dias, com início a 17 de fevereiro de
2020”, lê-se no anúncio da Direção-Geral do Património Cultural.Durante
quatro dias, entre o sábado e a terça-feira de Carnaval, mais de 30
salas de espetáculos da ilha Terceira, nos Açores, recebem centenas de
músicos e atores amadores, que atuam de forma gratuita, madrugada
dentro, em manifestações de teatro popular com crítica social,
intercalados com música e coreografias, a que chamam de danças de
pandeiro ou de espada, bailinhos e comédias.Os
elementos constantes do processo de inventariação estarão "disponíveis
para consulta em linha através do sistema MatrizPCI
(http://www.matrizpci.dgpc.pt/), sistema de informação de suporte ao
Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial”. As
observações ao processo podem ser apresentadas neste sistema ou
endereçadas, em correio registado, à Direção-Geral do Património
Cultural, que terá 120 dias, após a conclusão do período de consulta
pública, para tomar uma decisão sobre o pedido de inventariação. Em
setembro de 2013 foi aprovada, por unanimidade, uma resolução na
Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, apresentada pelo
PSD, que recomendava ao Governo Regional que efetuasse as diligências
necessárias para a classificação destas manifestações tradicionais como
Património Cultural Imaterial de Portugal.Entre
2016 e 2018, a direção regional da Cultura dos Açores recolheu registos
de áudio, fotografias e entrevistas, tendo elaborado um “dossiê com
quase 500 páginas” sobre estas manifestações culturais.No
final de janeiro, a diretora regional da Cultura dos Açores, Susana
Goulart Costa, disse esperar que o processo do “primeiro inventário
formal de uma manifestação intangível dos Açores” estivesse concluído
até maio ou junho.“Calculo que se tudo
correr, como eu espero, dentro destes ‘timings’ formais, no mês de maio
ou junho, as danças e bailinhos de Carnaval da ilha Terceira estarão
oficialmente reconhecidos como património imaterial a nível nacional”,
avançou, na altura, em declarações aos jornalistas, à margem do II
Congresso Internacional do Carnaval da Terceira, realizado na vila das
Lajes. Segundo a diretora regional da
Cultura, uma eventual candidatura do Carnaval da ilha Terceira ao
Património Imaterial da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a
Educação, a Ciência e a Cultura) “vai depender muito da comunidade e da
envolvência”, mas a integração no inventário nacional é um “passo
importante”.“Penso que o mais importante
nem é este reconhecimento internacional, é a manutenção, a
sobrevivência, o carinho e a riqueza cultural que o Carnaval da Terceira
tem”, salientou.Susana Goulart Costa
realçou, por outro lado, que com este inventário será possível
acompanhar a evolução das manifestações culturais ao longo dos anos, o
que permitirá preservar as danças e bailinhos de Carnaval.“Neste
património intangível, a cristalização não é saudável, porque a
comunidade evoluiu. Esta evolução significa que o Carnaval está vivo”,
apontou.Na altura, o secretário regional
da Educação e Cultura dos Açores, Avelino Meneses, sublinhou que “não há
sinais de desaparecimento do Carnaval” na ilha Terceira.“Considero
que entre as festividades tradicionais dos Açores, o Carnaval é a mais
forte de todas. É aquela que vai perdurar por mais tempo”, frisou.O
executivo açoriano pretende apoiar também candidaturas à integração no
Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial das romarias
quaresmais, existentes sobretudo na ilha de São Miguel, e das festas do
Espírito Santo.