Insuficientes renais açorianos destacam importância de manter hemodiálise na esfera pública
Hoje 16:17
— Lusa/AO Online
“O
anúncio feito na passada segunda-feira pelo senhor presidente do
Governo Regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, ao assegurar a
manutenção do Serviço de Hemodiálise no novo hospital - preservando,
assim, a natureza pública deste serviço - representa, sem dúvida, uma
importante conquista para os insuficientes renais crónicos da ilha de
São Miguel”, sublinhou a associação.A 4
de maio de 2024, o maior hospital dos Açores foi afetado por um incêndio
que obrigou à transferência de todos os doentes para outras unidades de
saúde da região, da Madeira e do continente, tendo sido construído um
hospital modular junto ao edifício do HDES para assegurar a resposta dos
cuidados de saúde.O Governo dos Açores
pretende que o futuro Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), em Ponta
Delgada, aproveite a “capacidade instalada” da infraestrutura modular
construída após o incêndio, segundo disse na segunda-feira o presidente
do executivo, José Manuel Bolieiro, a propósito da reorganização e
redimensionamento da maior unidade de saúde da região.Para
a delegação regional da Associação Portuguesa de Insuficientes Renais, a
manutenção da Hemodiálise na esfera pública é “um passo relevante para
os insuficientes renais crónicos da ilha de São Miguel, mas não encerra o
processo”.“Continuaremos atentos,
participativos e empenhados para garantir que este compromisso se
traduza em melhores cuidados e mais dignidade para todos os que dependem
deste serviço”, referiu a associação em comunicado.A
APIR tem alertado, ao longo dos últimos anos, para a necessidade
urgente de obras de remodelação e para a criação de uma sala de
hemodiálise com melhores condições para doentes e profissionais de
saúde.A decisão definitiva, acrescentou, “demorou mais do que seria desejável”.Após
o incêndio que afetou o hospital e durante a discussão dos planos
funcionais, chegou a ser equacionada a privatização do serviço, hipótese
que a associação “sempre defendeu não ser a melhor solução, nem para os
utentes nem para o próprio sistema”.Para a
APIR, a manutenção na esfera pública garante cuidados médicos de
qualidade e é também justificada do ponto de vista financeiro,
salientando que os Açores dispõem atualmente de “uma das diálises mais
económicas da Europa”.Apesar do anúncio, a
APIR considerou que persistem várias questões por esclarecer,
nomeadamente se as atuais instalações serão remodeladas ou se será
construída uma nova sala de diálise, equipada com sanitários e
vestiários adequados às necessidades atuais, uma nova estação de
tratamento de água que permita "aplicar a técnica de alto fluxo" e
gabinetes de apoio "indispensáveis" a um serviço desta natureza."Acresce
ainda a necessidade de clarificar o que significa, na prática, a
indicação de que todos os serviços ficarão instalados no perímetro do
hospital — nomeadamente, se existirão unidades com edifício próprio e
sem ligação interna à estrutura principal e, em caso afirmativo, se a
hemodiálise será uma dessas situações", defendeu.A
associação reiterou "total disponibilidade" para colaborar de forma
construtiva neste processo, "sempre com o objetivo de defender os
interesses e o bem-estar dos doentes renais crónicos, garantindo que
lhes sejam proporcionadas condições de tratamento seguras, dignas e de
elevada qualidade".