Instrução começa em 06 de março, em Lisboa, Bruno de Carvalho ouvido a 13 de março
Sporting
31 de jan. de 2019, 16:01
— Lusa/AO Online
Fonte
judicial explicou à agência Lusa que o processo pertence ao
Tribunal de Instrução Criminal (TIC) do Barreiro, mas, por razões de
logística e de instalações, o juiz Carlos Delca determinou que a
instrução, fase facultativa em que um juiz de instrução criminal decide
se o processo segue e em que moldes para julgamento, decorra na nova
sala do Campus da Justiça, no Parque das Nações, em Lisboa.Para
o primeiro dia, 06 de março, às 10 horas, 11 horas e 14 horas, estão agendadas
audições de três dos arguidos e no dia seguinte será ouvido um quarto
arguido e respetivas testemunhas por si arroladas.O
juiz Carlos Delca (foi o juiz da fase de inquèrito e será o juiz desta
fase instrutória) marcou para dia 13 de março, às 10:00, a audição do
antigo presidente do Sporting e a inquirição de testemunhas indicadas
por Bruno de Carvalho.A
fase de instrução foi requerida por mais de uma dezena de arguidos,
entre os quais o ex-presidente do Sporting e o antigo oficial de ligação
aos adeptos do clube Bruno Jacinto.Nuno
Mendes, conhecido como 'Mustafá' e líder da claque Juventude Leonina
('Juve Leo'), ao contrário do que a sua defesa tinha anunciado no ano
passado, não requereu a abertura de instrução.Segundo
a mesma fonte judicial, Fernando Mendes, ex-líder da 'Juve Leo', assim
como outros arguidos, entregaram o requerimento de abertura de instrução
já fora do prazo.Em
janeiro deste ano, o TIC do Barreiro declarou a especial complexidade
do processo da invasão à Academia do Sporting, pedida pelo Ministério
Público, o que, consequentemente, dilatou o prazo de prisão preventiva
dos arguidos.Esta
decisão teve como consequência direta o alargamento do prazo (até 21 de
setembro deste ano) para que o TIC do Barreiro profira a decisão
instrutória (se o processo segue para julgamento), sem que 23 dos
arguidos sejam colocados em liberdade.Os
primeiros 23 detidos pela invasão à Academia e consequentes agressões a
técnicos, futebolistas e outros elementos da equipa 'leonina',
ocorridas em 15 de maio do ano passado, ficaram todos sujeitos à medida
de coação de prisão preventiva em 21 de maio.Em
15 de novembro, exatamente seis meses após o ataque à Academia, a
procuradora Cândida Vilar (que será a procuradora do Ministério Público
na fase de instrução), do Departamento de Investigação e Ação Penal
(DIAP) de Lisboa, deduziu acusação contra 44 arguidos, incluindo o
ex-presidente do Sporting Bruno de Carvalho e 'Mustafá'.Dos
44 arguidos do processo, 38 mantêm-se sujeitos à medida de coação mais
gravosa: a prisão preventiva. Os restantes seis arguidos, incluindo o
ex-presidente do Sporting Bruno de Carvalho e o líder da claque ‘Juve
Leo’, encontram-se em liberdade, sendo que estes dois últimos estão
obrigados a apresentações diárias às autoridades.A
procuradora do MP não recorreu da medida de coação aplicada a Bruno de
Carvalho, mas apresentou recurso quanto à de Nuno Mendes, não havendo
ainda decisão.O
antigo oficial de ligação aos adeptos do clube Bruno Jacinto está entre
os arguidos presos preventivamente, sendo acusado da autoria moral do
ataque, tal como Bruno de Carvalho e 'Mustafá'.Aos
arguidos, que participaram diretamente no ataque, o MP imputa-lhes a
coautoria de crimes de terrorismo, 40 crimes de ameaça agravada, 38
crimes de sequestro, dois crimes de dano com violência, um crime de
detenção de arma proibida agravado e um de introdução em lugar vedado ao
público.Bruno
de Carvalho, 'Mustafá' e Bruno Jacinto estão acusados, como autores
morais, de 40 crimes de ameaça agravada, 19 de ofensa à integridade
física qualificada, 38 de sequestro, um de detenção de arma proibida e
crimes que são classificados como terrorismo, não quantificados. O líder
da claque Juventude Leonina está também acusado de um crime de tráfico
de droga.Este
mês, um dos suspeitos do ataque à academia do Sporting foi detido em
Angola, disse anteriormente à Lusa outra fonte judicial, acrescentado
tratar-se do ‘braço direito’ do líder da claque ‘Juve Leo’.Segundo
esta mesma fonte, Alano Silva, considerado um elemento “muito próximo”
de 'Mustafá', terá viajado para Angola logo após a operação da GNR que
culminou com a detenção do primeiro grupo de 23 suspeitos.A
detenção ocorreu na sequência de um mandado de detenção internacional
emitido pelo DIAP de Lisboa, mas como este suspeito tem nacionalidade
angolana, é “quase certo” que não seja extraditado para Portugal, ainda
que possa vir a ser julgado em Angola pelo ataque à Academia.