Instituto na Califórnia cria programa dedicado às histórias da diáspora madeirense
16 de jan. de 2023, 08:55
— Lusa/AO Online
“É uma comunidade que
muitas vezes fica esquecida, porque aqui é quase tudo açoriano e só se
fala dos Açores”, disse à Lusa o professor Diniz Borges, que dirige o
Instituto (PBBI, na sigla inglesa) na Universidade Estadual da
Califórnia em Fresno. “Precisamos de fazer mais encontros e colóquios e saber mais sobre a comunidade madeirense”, referiu. “Além
das festas tradicionais, como o Bom Jesus Milagroso, sabe-se pouco das
vertentes da comunidade madeirense e será interessante conhecê-las”.É
uma comunidade que tem uma forte presença em San Diego, em Hayward
(zona da baía de São Francisco) e em algumas cidades do vale de São
Joaquim, indicou o professor.“Há a
particularidade de muitos luso-americanos com quem converso de origem
madeirense, muitos de terceiras e quartas gerações, terem vindo para
aqui através do Havai”, explicou Diniz Borges, referindo que essas
conversas estiveram na base da ideia para a iniciativa. “Não se fala muito da Madeira. Acho que falta uma força congregadora, uma plataforma nacional”, continuou o responsável. No
lançamento, a iniciativa tem como conselheiros quatro personalidades
ligadas à diáspora madeirense, de várias partes da Califórnia: o antigo
presidente do PALCUS (Conselho de Liderança Luso-Americano) John Bento,
de Sacramento, Maria José Rodrigues, que está a escrever a história da
presença portuguesa em San Diego, Maria Isabel Camacho, que emigrou há
duas décadas e está em Hayward e Inês Eiras, que está envolvida na
comunidade na área este da baía de São Francisco.A
organização está igualmente em conversações com duas pessoas da cidade
de Lemoore, no condado de Kings, onde há algumas famílias de origem
madeirense.No âmbito do lançamento da
Madeira Diaspora Initiative, o PBBI vai enviar uma carta ao Governo
Regional da Madeira para estabelecer uma relação mais próxima com o
executivo. “Também vamos começar a fazer
contactos entre a Universidade da Madeira e [a Universidade] Fresno
State para ver se há um possível acordo para colóquios que tenham mais
em foco a presença da diáspora madeirense nos Estados Unidos, além da
possibilidade de intercâmbio de alunos”, disse Diniz Borges.O objetivo inicial é organizar dois eventos no primeiro semestre deste ano e registar cerca de meia dúzia de histórias orais. A
nível nacional, o programa aponta para dois a quatro eventos por ano
vocacionados para o presente e futuro da comunidade portuguesa com
origem na Madeira nos Estados Unidos. Embora
minoritária na globalidade da comunidade luso-americana, frisou o
professor, a diáspora madeirense tem muitas histórias de interesse que o
PBBI quer colocar em destaque em 2023.O
Instituto tem o apoio da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento
(FLAD) e vai assinalar o quarto aniversário num evento comemorativo a 21
de fevereiro.