Instituto Hidrográfico vai partilhar conhecimento e recursos com novo AIR Centre
13 de mar. de 2019, 15:29
— Lusa/AO Online
Um dos grandes
objetivos na aliança que é formalizada esta quarta-feira com a assinatura de um
memorando de entendimento entre as duas instituições é a não duplicação
de esforços e ações, evitando redundâncias nos trabalhos desenvolvidos.
O memorando prevê que o IH e o AIR
Centre, sediado nos Açores, desenvolvam projetos de investigação
conjuntos, identificando áreas de interesse comuns e partilhando
recursos, competência e capacidade instalada. As
áreas de trabalho comuns identificadas no protocolo são, entre outras, o
combate à poluição nos oceanos, adaptação e mitigação de impactos das
alterações climáticas e sistemas de energia sustentável. Pretendem
ainda reforçar a capacidade de transferência de conhecimento para a
sociedade, envolvendo no processo Governos, universidades, empresas e
sociedade civil. Ao IH caberá partilhar a
sua cartografia hidrográfica e a sua experiência na observação oceânica,
com o objetivo de promover, no âmbito do AIR Centre, uma Rede de
Observação Oceanográfica do Atlântico. Entre
as obrigações atribuídas ao IH nesta parceria está também a de
participar e apoiar parcerias com entidades públicas e privadas que
levem ao desenvolvimento de sensores de baixo custo para observação
oceânica que, por um lado, possam ser facilmente usados por “atores
menos experientes no Atlântico Central e do Sul” e que, por outro lado,
possam ser usados como elementos tecnológicos de base para uso global,
nomeadamente no apoio a missões de satélites da Agência Espacial
Europeia (ESA).O memorando de
entendimento, que é hoje assinado em Lisboa pelos responsáveis máximos
dos dois organismos e pelos ministros que os tutelam – o ministro da
Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, e o ministro da
Defesa, João Gomes Cravinho – prevê a criação de uma comissão de
acompanhamento para a sua implementação, a qual ficará também incumbida
de apresentar um plano de ação tendo em conta os objetivos do protocolo.Com
a duração de cinco anos, o protocolo pode ser sucessivamente renovado
por iguais períodos, se for esse o entendimento das partes, ou
denunciado com um aviso prévio de 60 dias, que não poderá pôr em causa
atividades já em curso.O Air Centre
pretende reunir investigação em áreas como espaço, oceanos, alterações
climáticas e processamento de dados e envolve países Brasil, Espanha,
Angola, Cabo Verde, Nigéria, Uruguai e São Tomé e Príncipe, tendo o
Reino Unido e a África do Sul como países observadores.O
objetivo, segundo Manuel Heitor, é “perceber como é que as novas
tecnologias espaciais e o conhecimento já muito existente em tecnologias
oceânicas podem contribuir para a análise, a prospeção e a criação de
emprego, no contexto de grandes alterações climática”.O
AIR Centre deverá arrancar em junho e a sede definitiva do centro ainda
não está escolhida, mas está a ser analisada a possibilidade de serem
utilizadas infraestruturas deixadas livres pela Força Aérea
norte-americana, no âmbito da redução militar na base das Lajes, na ilha
Terceira, nos Açores.