Instituto de Vulcanologia reforça monitorização do vulcão de Santa Bárbara nos Açores
6 de nov. de 2025, 19:24
— Lusa
“Estamos neste
momento a fazer mais alguns trabalhos de campo e na próxima semana
iremos proceder a algumas missões, que estamos a preparar, para a
recolha de gases e de águas no perímetro do vulcão de Santa Bárbara”,
afirmou, em declarações à Lusa, o geólogo João Luís Gaspar, coordenador
do Gabinete de Crise do IVAR.O nível de
alerta do vulcão de Santa Bárbara, na ilha Terceira, nos Açores, voltou
hoje a subir para V3 (sistema vulcânico em fase de reativação), em que
já tinha estado no verão de 2024.Desde
junho de 2022 que a atividade sísmica no vulcão de Santa Bárbara
encontra-se “acima dos valores normais de referência”, tendo o evento
mais energético ocorrido em 14 de janeiro de 2024, com magnitude de 4,5
na escala de Richter.O nível de alerta
vulcânico esteve em V3 entre junho e dezembro de 2024, mas desde então
mantinha-se em V2 (sistema vulcânico em fase de instabilidade).Segundo
João Luís Gaspar, a subida do nível de alerta ocorreu porque nos meses
de setembro e outubro ouve um incremento da atividade sísmica na parte
oeste da ilha Terceira.“Prendeu-se não só
com um maior número de sismos registados, mas, sobretudo, com mais
sismos de magnitudes um pouco mais elevadas, entre 2 e 3 na escala de
Richter. Para além do número de sismos ter aumentado ligeiramente,
tivemos um aumento da energia libertada”, justificou.A este parâmetro soma-se “alguma deformação crustal acima dos níveis de referência”.No
entanto, os dados emitidos pelas estações permanentes nesta zona da
ilha, 24 horas por dia, não indicam “qualquer alteração de parâmetros
físico-químicos, nem de gases, nem de águas”“Este
alerta 3 obriga-nos a desenvolver mais campanhas em torno do vulcão
para verificar se há mais alguma alteração, que porventura não seja
manifestável ao nível das redes permanentes. No que toca às autoridades
de Proteção Civil, significa que é o momento em que há uma reapreciação
do planeamento de emergência que se tem para estas ocasiões”, apontou o
coordenador do Gabinete de Crise do IVAR.Segundo João Luís Gaspar, a situação atual é muito semelhante à que ocorreu no verão de 2024.“Continuamos
com um padrão muito idêntico ao do ano passado só com sinais de
sismicidade e de deformação crustal”, frisou João Luís Gaspar.A
crise sismovulcânica na ilha Terceira dura há mais de três anos, com
períodos alternados de maior e menor libertação de energia, o que,
segundo o geólogo, é normal neste tipo de fenómenos.“Estamos
a viver uma fase de maior libertação de energia, mas é um fenómeno que
regra geral tem este tipo de figurino, não é como uma crise sísmica que
começa com um terramoto e depois tem umas réplicas que vão diminuindo.
As crises vulcânicas, regra geral, têm este desenvolvimento muito longo,
duram meses, anos, sempre com estas oscilações”, explicou.“É
por isso que temos de ir acompanhando e os alertas vão indicando qual o
grau de atenção que devemos dar a este tipo de fenómenos, seja na
monitorização, seja na adoção de medidas preventivas”, acrescentou.Nesta
fase, a crise está “numa tendência novamente crescente”, o que exige
uma monitorização “dia a dia, hora a hora, para perceber como é que vai
evoluir”.Questionado sobre que
comportamento deve ter a população da ilha, perante esta subida do nível
de alerta, o coordenador do Gabinete de Crise do IVAR disse que o que
importa nesta fase é seguir as orientações da Proteção Civil.“A
população está bem informada e avisada, porque esta crise já se iniciou
em 2022. As autoridades de Proteção Civil têm feito reuniões e sessões
de esclarecimento, que alertam para as medidas de autoproteção que podem
ser adotadas”, referiu.