Instituições privadas vão poder aceder a apoios sociais nos Açores
15 de jan. de 2025, 12:03
— Lusa/AO Online
“Não se trata aqui
de financiar de forma desmedida a iniciativa privada. Não! Trata-se de
aproveitar a capacidade instalada em algumas valências sociais, de
alguns parceiros do setor”, esclareceu a secretária regional da Saúde e
da Solidariedade Social, Mónica Seidi, durante a apresentação do diploma
no plenário da Assembleia Legislativa dos Açores, reunido na cidade da
Horta.Com esta proposta aprovada pelos
deputados do PSD, CDS, PPM, CH, IL e PAN, as instituições sociais
geridas por privados, vão passar a beneficiar também de apoios públicos,
através duma alteração ao sistema de ação social dos Açores, que teve,
no entanto, o voto contra do BE e a abstenção do PS.“Pretendemos
atribuir apoios a pessoas singulares e coletivas, com ou sem fins
lucrativos, que venham colmatar necessidades identificadas, através da
promoção e acesso a respostas sociais, incluindo a realização de obras,
apetrechamento de infraestruturas, programas, projetos e iniciativas que
prossigam o objetivo do sistema da Segurança Social”, justificou a
governante.A iniciativa gerou, no entanto,
um debate ideológico no parlamento regional, com António Lima, deputado
do Bloco de Esquerda, a opor-se à utilização de dinheiros da Segurança
Social para financiar o setor privado no arquipélago.“Cada
empresa é livre, neste país e na região, de criar uma creche ou de
criar uma estrutura residencial para idosos, outra coisa é fazer-se isso
com o orçamento da região e com o orçamento da Segurança Social”,
apontou o deputado bloquista.Esta
perspetiva é, no entanto, contestada por Catarina Cabeceiras, deputada
do CDS, que denuncia a alegada incoerência do discurso da
extrema-esquerda: “estão sempre a apregoar que são precisas mais vagas, o
Governo apresenta uma solução, mas afinal não serve, corta, lá vem o
papão do privado”.Nuno Barata, da
Iniciativa Liberal, deu o exemplo de um colégio privado, em Ponta
Delgada, que no seu entender, já poderia estar a beneficiar destes
apoios, se esta proposta agora aprovada no parlamento, tivesse sido
apresentada mais cedo.“O Colégio São
Francisco Xavier tem salas de creche vazias há anos! E que podiam estar a
receber crianças há anos! Mas algum preconceito político-religioso, não
permitiu apoios àquela instituição”, lamentou o deputado liberal.Dora
Valadão, da bancada do Partido Socialista, alertou, por outro lado,
para a necessidade de se definirem critérios e regras que garantam
equidade e transparência na atribuição de apoios sociais aos privados.“É
necessário definir regras claras para que o setor privado possa aceder
aos apoios aqui previstos, garantindo transparência e o cumprimento das
contrapartidas, bem como fiscalização adequada, estabelecendo critérios
claros de acessibilidade e ilegibilidade, para cada tipologia de
apoios”, realçou a deputada do PS.O Chega,
que tinha sido criticado por alterar, o ano passado, os critérios de
acesso às creches gratuitas nos Açores, no sentido de beneficiar as
crianças com pais trabalhadores, acusa agora os socialistas, que se
abstiveram, de terem um discurso “incoerente”.“Os
senhores são uns incoerentes! Os senhores é quanto pior, melhor!”,
apontou José Pacheco, deputado do Chega, dirigindo-se à bancada do PS,
acrescentando que se a alteração proposta pelo seu partido não era boa,
“têm agora aqui uma solução”.Nídia Inácio,
da bancada do PSD, elogiou também a proposta do Governo de coligação
(PSD, CDS-PP e PPM), realçando a “importância deste diploma” para o
futuro da região e para o bem-estar dos cidadãos, em especial, por
permitir a criação de mais lugares em creches na região.