Instituições preparadas para receber maior número de alunos de sempre
28 de set. de 2020, 16:00
— Lusa/AO Online
Quase 51 mil estudantes entraram no ensino
superior na 1.º fase do Concurso Nacional de Acesso, que se transformou
no concurso com mais alunos colocados de sempre.Para
o presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores
Politécnicos (CCISP), Pedro Dominguinhos, o “aumento significativo” de
alunos a entrar no ensino superior mostra que "os jovens e as famílias
acreditam que o ensino superior é um investimento importante a longo
prazo, apesar dos momentos de incerteza” que se vivem em relação ao
futuro.As inscrições dos caloiros começam
hoje, assim como o processo de candidatura à 2.º fase do concurso
nacional de acesso (que é composta por três fases). Aos
51 mil que agora entraram, vão juntar-se outros milhares através das
várias formas de acesso. No total, a Direção-Geral do Ensino Superior
(DGES), estima que este ano haja cerca de 95 mil novos alunos em
instituições públicas e privadas.Segundo
Pedro Dominguinhos, as instituições estão preparadas para os receber,
tendo em conta a atual época de pandemia, que tem tido impacto na saúde
mas também na situação financeira de muitas famílias.O
presidente do CCISP explicou à Lusa que cada instituição desenhou
medidas adaptadas à sua realidade tendo por base as recomendações da
Direção-Geral da Saúde e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino
Superior (MCTES).Alguns politécnicos
instalaram equipamentos nas salas de aula, permitindo assim dividir as
turmas em dois grupos e ter, de forma rotativa, apenas metade dos alunos
dentro da sala de aula enquanto os colegas acompanham as aulas à
distância.O também presidente do Instituto
Politécnico de Setúbal deu como exemplo a sua instituição explicando
que foram investidos cerca de 180 mil euros para adquirir equipamentos
para 72 salas de aula, permitindo assim transmitir a aula em direto.“Mas
existem instituições onde tal não é necessário e por isso foram
encontradas outras soluções”, explicou, acrescentando que as aulas dos
alunos mais velhos já começaram, já surgiram alguns casos de covid em
ambiente escolar e o processo de ensino continua a funcionar.Além
dos circuitos de circulação, da disponibilização de álcool gel e uso
obrigatório de máscara, há instituições que colocaram à entrada das
salas de aula a limitação máxima desses espaços e há salas que têm
acrílicos nas secretárias dos alunos.O
aumento de estudantes poderá traduzir-se também no aumento de casos a
precisar de ajuda e Pedro Dominguinhos acredita que estão criadas
condições para que os alunos não desistam de estudar por dificuldades
financeiras.O regulamento de atribuição de
bolsas de estudo foi alterado, alargando o limiar de elegibilidade,
assim como o valor das bolsas é agora mais elevado do que as propinas (a
bolsa mínima é 871 euros e a propina 697 euros).No
mesmo sentido aumentou também o complemento de alojamento, que agora
tenta estar mais alinhado com os preços praticados no mercado de
arrendamento, lembrou Pedro Dominguinhos.No
entanto, o presidente do CCISP sublinha que a “perda de rendimentos de
muitas famílias é muito significativa” e por isso as instituições têm de
estar atentas e os alunos têm de pedir ajuda, quando tal necessitem.Em
algumas instituições, como é o caso do Politécnico de Setúbal, foi
criada uma bolsa extra e foi criado um projeto que permite emprestar
computadores e internet a quem mais precisa.Na
1.º fase do concurso nacional de acesso (CNA) concorreram cerca de 62
mil alunos, tendo entrado quase 51 mil, ou seja, quatro em cada cinco já
estão colocados. A 2.º fase começa hoje e tem cerca de seis mil vagas.