Instituição nega despedimento de 1.500 trabalhadores antecipado pela CT
Novo Banco
24 de fev. de 2021, 17:55
— Lusa/AO Online
"O Novo Banco
desmente os números divulgados" pela Comissão de Trabalhadores hoje no
parlamento, disse fonte oficial da instituição financeira em resposta a
questões colocadas pela Lusa.A mesma fonte
do banco liderado por António Ramalho adiantou ainda que "o Novo Banco
prevê uma redução média para os próximos três anos em linha com a
redução anual que se tem vindo a concretizar, designadamente em 2020",
adiantando que no último ano saíram cerca de 250 trabalhadores da
instituição, o que eleva o total de trabalhadores que saíram do Novo
Banco para cerca de 870 nos últimos três anos.Até
setembro do ano passado, o banco reduziu a sua força de trabalho em 201
trabalhadores face a dezembro de 2019, ano em que perdeu 227
trabalhadores face ao anterior, sendo que em 2018 já tinha perdido 392
em relação a 2017, de acordo com os relatórios e contas e apresentações
de resultados do Novo Banco.Os
trabalhadores do Novo Banco alertaram hoje, no parlamento, que a
administração se prepara para uma nova redução de balcões e despedimento
de 1.500 trabalhadores, defendendo uma renegociação dos objetivos com a
Comissão Europeia.O alerta foi dado por
Rui Geraldes, da Comissão Nacional de Trabalhadores do Novo Banco,
ouvido na Comissão de Trabalho e Segurança Social, numa audiência que já
tinha sido requerida em 2020.“Para 2021,
fruto da atual conjuntura pandémica, será muito difícil atingir
objetivos [acordados com a Comissão Europeia], estando previsto, caso os
mesmos não sejam renegociados, o encerramento adicional de balcões e
despedimento de 1.500 trabalhadores”, disse o responsável.Segundo
Rui Geraldes, o plano de reestruturação do Novo Banco estabelecido com a
comissão europeia no final de 2017, prevê a renegociação dos objetivos
em caso de contingência de força maior que seja alheia ao controle do
banco.“A administração está a ir mais
longe do que os objetivos acordados com a DGComp [direção geral da
concorrência da Comissão Europeia], uma vez que estes previam que em
2021 o banco deveria ter 400 balcões e 4.909 trabalhadores, objetivos já
atingidos e ultrapassados em 2019”, disse o representante da Comissão
Nacional de Trabalhadores, referindo que o Novo Banco tem atualmente 360
balcões e 4.668 trabalhadores no grupo (cerca de 4.350 no banco). “Era
fundamental que fossem renegociados estes objetivos, tendo em conta que
esta pandemia é um facto alheio ao banco e à gestão do banco, a fim de
evitar este despedimento e o encerramento de mais balcões”, disse.Ouvido
hoje no parlamento, o representante dos trabalhadores lamenta que ao
longo de seis anos o Novo Banco tenha vivido “em reestruturações
permanentes, sendo que o método aplicado passou sempre por fechar
balcões, dispensar trabalhadores”.“Essas
reestruturações não se têm mostrado eficazes, pois os prejuízos cada vez
são maiores, o negócio mais reduzido e os contribuintes é que são
sempre os sacrificados”, disse. Segundo os dados apresentados, foram já encerrados 314 balcões e reduzidos 3.229 trabalhadores.O
facto de a administração do banco ter excluído a comissão de
trabalhadores do plano em curso é, para Rui Geraldes, um forte indicador
de que o banco não se preocupa em alcançar a paz social dentro da
empresa.O Novo Banco teve prejuízos de
853,1 milhões de euros nos primeiros nove meses deste ano, mais 49% do
que no mesmo período do ano passado, segundo as contas hoje divulgadas
pelo banco.Em julho, o Novo Banco estimou,
em comunicado enviado ao regulador dos mercados, que o valor a pedir no
âmbito do Mecanismo de Capital Contingente, que recorre ao Fundo de
Resolução para compensar perdas do legado do banco, seja de 176 milhões
de euros relativo ao primeiro semestre.O
presidente executivo do Novo Banco, António Ramalho, tem vindo a avisar
que a instituição vai precisar de mais capital do que o previsto para
este ano, face ao impacto da covid-19.