Instalação “DAS CINZAS” reflete sobre identidade dos Açores a partir das catástrofes
Hoje 15:26
— Lusa/AO Online
“O
projeto é uma instalação, a que eu chamo de instalação interpretativa
porque tem elementos da coleção do Museu [Carlos Machado] e instalações
de arte. O tema são os desastres naturais, as catástrofes e a capacidade
de adaptação nos Açores”, começa por explicar à agência Lusa o artista.A exposição parte de
seis acidentes naturais da história dos Açores, do terramoto em Vila
Franca do Campo, em 1522, até ao sismo de 1980 que destruiu Angra do
Heroísmo, para abordar a forma como as catástrofes “moldam as relações
entre o ser humano e o ambiente”.“Escolhi
diferentes peças do museu que dialogam com estes desastres em específico
e as suas consequências e criei peças artísticas para interpretar esses
temas com ênfase no ambiente e as conexões entre os Açores e o mundo”,
detalhou.Champ Turner revela ter procurado
integrar elementos das várias coleções do Museu Carlos Machado, com
peças de etnografia, arte sacra, arqueologia ou da coleção de história
natural, que o “fascinou” por ter “a história da ciência concentrada num
só lugar”.“É interessante perceber como é
que as condições específicas de cada tempo histórico influenciam a
forma como as pessoas conseguiram responder. Os desastres são como um
ponto de entrada para compreender a relação das pessoas com o ambiente, a
dependência em relação à terra e a forma como isso foi testado por
essas catástrofes”, vincou.O artista
americano teve contacto com a história dos Açores quando estudava na
Universidade de Brown, em Providence (Rhode Island), onde existe uma
grande comunidade açoriana.Depois de vir a
Ponta Delgada pela primeira vez em 2022, numa visita de estudo da
Escola de Design de Rhode Island, começou a “ficar interessado na língua
e nos estudos portugueses” e aprofundou a ligação com o arquipélago.“Abriu-me
os olhos para este espaço como um lugar único no mundo. Comecei a
aprender português. Foi isso que me fez agora querer voltar. Não tenho
ligações familiares nos Açores. Cresci no Texas. Foi ao ir para
universidade em Providence que tomei consciência da história e da
comunidade portuguesa”.A primeira
exposição de Champ Turner em Portugal conta com apoio do Programa
Fulbright (programa de bolsas de estudo financiado pelo governo
americano) e da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD).
A
exposição “DAS CINZAS — Catástrofe e adaptação nos Açores” ficará
patente até junho.