Inspetores e funcionários do SEF marcam greve para sexta-feira
4 de mai. de 2021, 10:22
— Lusa/AO Online
A
greve, que vai decorrer entre 00h00 e as 24h00 de sexta-feira, foi
anunciado pelo Sindicato da Carreira de Investigação e Fiscalização do
Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SCIF/SEF) e conta com a adesão do
Sindicato dos Funcionários do SEF (SINSEF) e o Sindicato dos Inspetores
de Investigação, Fiscalização e Fronteiras (SIIFF).O
sindicato garante que a greve vai “suspender toda a atividade” e é
motivada pela formalização em Conselho de Ministros e tornado público em
Diário da República “da intenção do Governo extinguir o SEF”. “Esta
paralisação é um protesto contra a intenção do Governo de extinguir o
SEF. O SEF precisa de ser reestruturado internamente e reforçado, a
dissolução não é solução. Exigimos um debate alargado e profundo entre
os partidos políticos com assento parlamentar e a sociedade civil sobre a
reforma do SEF”, disse à Lusa o presidente do SCIF/SEF. Acácio
Pereira considerou que “a extinção do SEF teria como efeito imediato a
distribuição das suas funções por cinco ou mais entidades o que
degradaria o serviço prestado aos cidadãos, nacionais e estrangeiros,
com mais burocracia, mais morosidade, menos segurança e menos respeito
pelos direitos humanos”.Segundo o
sindicato, a criação de uma nova entidade “não trará resposta para os
problemas há muito identificados e que resultaram de uma gritante falta
de investimento no SEF nos últimos vinte anos”. “Os
episódios de mau funcionamento do SEF devem-se exclusivamente à
incapacidade política que o Governo teve em dar resposta às necessidades
básicas de um serviço vital para a segurança nacional e europeia, num
quadro crítico de segurança mundial”, sustenta Acácio Pereira. O
sindicato sublinha que a resolução do Conselho de Ministros, publicada a 14 de abril em Diário da República, prevê “o desmantelamento do SEF”
através da criação de um Serviço de Estrangeiros e Asilo (SEA) e a
dissolução das atribuições policiais do SEF na GNR, PSP e PJ. Para
Acácio Pereira, “o SEF tem um caráter único enquanto polícia de
imigração e deve ocupar-se da investigação criminal, da prevenção e
combate ao terrorismo, e da proteção das vítimas do tráfico de seres
humanos”. O presidente do sindicato refere
ainda que as resoluções do Conselho de Ministros são “meras intenções
políticas, não são atos legislativos, defendendo que qualquer alteração
“é reserva absoluta da Assembleia da República”. “O esquartejamento do SEF resultaria numa enorme perda de conhecimento, especialização e sinergias existentes”, conclui. A
resolução, que define as orientações políticas para a criação do
Serviço de Estrangeiros e Asilo, que vai suceder ao SEF, estabelece “as
traves mestras de uma separação orgânica muito clara entre as funções
policiais e as funções administrativas de autorização e documentação de
imigrantes”.A resolução determina quais as
atribuições de natureza policial do SEF que vão transitar para a Guarda
Nacional Republicana, Polícia de Segurança Pública e Polícia
Judiciária, bem como as competências que vão passar para o Instituto dos
Registos e Notariado, ficando o Serviço de Estrangeiros e Asilo com
“atribuições de natureza técnico-administrativa”.