Inspeção recebeu 1.511 queixas contra atuação dos polícias em 2024, maior número da década
23 de mai. de 2025, 11:42
— Lusa/AO Online
Os
dados do organismo que fiscaliza a atividade das polícias, a que
agência Lusa teve acesso, dão conta de que no ano passado a IGAI recebeu
1.511 denúncias, incluindo 331 certidões enviadas pela autoridade
judiciária.Analisando as queixas que
chegaram à IGAI entre 2014 e 2024 concluiu-se que as denúncias mais do
que duplicaram, passando de 711 para 1.511, atingindo no ano passado o
número mais elevado da década.Segundo a
IGAI, em 2014 foram registadas 711 queixas contra a atuação dos
polícias, em 2015 foram 717, no ano seguinte foram 730, em 2017 foram
772, voltando a aumentar em 2018 para 860, em 2019 sobem novamente para
950, em 2020 situaram-se nos 1.072, em 2021 foram 1.174 e em 2022 e 2023
totalizaram 1.436 respetivamente.A IGAI
avança que a PSP é a força de segurança com maior número de queixas,
tendo dado entrada naquele organismo 742 participações contra a atuação
dos agentes da Polícia de Segurança Pública em 2024, mais 126 do que em
2023.Os militares da Guarda Nacional Republicana foram alvo de 527 denúncias, mais 115 do que em 2023.O
organismo liderado pelo juiz desembargador Pedro Figueiredo indica
também que as queixas contra a atuação das forças de segurança estiveram
relacionadas com a violação de deveres de conduta (procedimentos ou
comportamentos e incorretos e recusas de atendimento), ofensas à
integridade física e abusos de autoridade.Em
relação aos processos disciplinares, os dados da IGAI mostram que nove
polícias da PSP e oito militares da GNR foram suspensos no ano passado,
tendo sido ainda expulso um militar da Guarda Nacional Republicada.Em
2024, o organismo que fiscaliza a atividade das polícias abriu 23
processos disciplinares a polícias, menos 22 do que em 2023. No entanto,
as penas aplicadas aumentaram, tendo sido mais oito os polícias
suspensos.A IGAI arquivou também no ano
passado 15 processos, cinco dos quais a militares da GNR, nove a
polícias da PSP e um a um ex-inspetor do Serviço de Estrangeiros e
Fronteiras (SEF), sendo estes arquivamentos justificados com a amnistia
de infrações por ocasião da Jornada Mundial da Juventude realizada em
Lisboa em 2023.No ano passado, a IGAI
concluiu ainda 33 processos, quatro dos quais de inspetores do ex-SEF e
que foram remetidos para a Polícia Judiciária. Destes 33 processos
concluídos, a IGAI propôs que 11 tivessem como aplicação uma pena e
outros 16 o arquivamento.No entanto cabe à
ministra da Administração Interna a última decisão sobre a conclusão
dos processos da IGAI, tendo Margarida Blasco decidido pela aplicação de
19 penas e o arquivamento de outros 15 processos.De
acordo com este organismo, os 23 processos disciplinares abertos em
2024 têm origem, na sua grande maioria, em situações de alegadas ofensas
à integridade física de cidadãos por parte de elementos da GNR ou da
PSP, existindo ainda situações de alegadas violações de deveres
funcionais A IGAI tem como missão a
realização de auditorias, inspeções e fiscalização de todas as
entidades, serviços e organismos tutelados pelo MAI.